Em Setembro, a carga aérea movimentada no Porto “afundou” mais de 23%. Em boa parte por causa da falta do cargueiro da Air France, impedido de voar para o México.

Ao que o TRANSPORTES & NEGÓCIOS apurou, as autoridades mexicanas de aviação civil decidiram negar os direitos de tráfego ao cargueiro que semanalmente voava do Porto para o México, essencialmente com cargas da espanhola Inditex. Igual decisão foi tomada relativamente ao voo com origem em Saragoça.

Em consequência, as operações da Air France para a Inditex estão agora concentradas em Toulouse, enquanto a situação não é desbloqueada.

Com isso sofrem os números das estatísticas de carga da ANA, mas não os da AF-KLM no Porto. Ao TRANSPORTES & NEGÓCIOS, Amílcar Horta garantiu que o encaminhamento das cargas continua a ser assegurado pela companhia, recorrendo a camiões – de operadores portugueses e espanhóis – para os percursos da Galiza, de Madrid e da Catalunha até Toulouse.

Em Setembro, a ANA contabilizou no Porto 2 247 toneladas de carga aérea. Uma quebra homóloga de 675 toneladas, que reduziu para 2% o crescimento acumulado nos primeiros nove meses do ano.

Ainda em Setembro, os aeroportos nacionais processaram 11 919 toneladas de carga e correio, menos 6,9% que há um ano. Além do Porto, Lisboa recuou 4% para as 8 165 toneladas. Nos Açores, o “João Paulo II” fez 546 toneladas (menos 4%) e Santa atingiu as 266 toneladas (mais 1 213%). Na Madeira, o Funchal caiu 11% para cerca das 558 toneladas.

No balanço dos primeiros nove meses do ano, a ANA reporta 112 550 toneladas de carga aérea (menos 5%). O Porto é o único aeroporto ainda em terreno positivo, com 26 478 toneladas. Lisboa cede 4,7% para as 73 956 toneladas, castigado sobretudo pela crescente concorrência de Madrid nas ligações com o Brasil.

Entre os outros aeroportos, o Funchal cai 9,5% para as 4 998 toneladas e o “João Paulo II” perde 16% para as 4 803 toneladas.

Quantos aos voos-camião, em Setembro terão movimentado 2 471 toneladas (1 642 toneladas em Lisboa e 829 toneladas no Porto), elevando o total anual para as 22 500 toneladas, divulgou a ANA.

 

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