O presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região Norte admite “bater” com a porta caso o Governo avance com a intenção de uma holding nacional para todo o sector portuário que signifique a perda de autonomia do Porto de Leixões.

O ministro António Mendonça já veio a público dizer que não há a intenção de centralizar em Lisboa a gestão dos portos nacionais. Mas as palavras do titular das Obras Públicas, Comunicações e Transportes parecem não ser tranquilizadoras para os dirigentes nortenhos.

“Se, de facto, for tomada a decisão de incorporar o Porto de Leixões numa holding nacional e este perder a autonomia, eu imediatamente demitir-me-ei da presidência da CCDR”, referiu Carlos Lage, citado pelo “i”.

O destacado socialista acrescentou que “se o Porto de Leixões fosse mal gerido, ainda se poderia entender que o Estado interviesse. Agora, quando na sua região, no seu espaço, é um porto que prestigia e que dá vantagens à região e ao país, é incompreensível que com um simples desenho do que se pode entender que é uma gestão de conjunto, feita de não sei quantas sinergias e vantagens, se risque completamente do mapa”.

A explicação, no entanto, deu-a o próprio Carlos Lage: em Lisboa “[o Porto de Leixões] é apenas uma abstracção, e nem sequer se dá conta do significado que tem para o espaço regional o respeito pela individualidade e pela autonomia das regiões”.

Rui Moreira, presidente da Associação Comercial do Porto, também já admitiu demitir-se do cargo caso avance a criação da holding portuária, que continuará em estudo em sede governamental.

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