Os carregadores queixam-se  de falta de informação sobre as novas regras de emissões da IMO e de falta de transparência das  transportadoras sobre os sobrecustos de redução das emissões de enxofre, assinalam a Alphaliner e a Drewry.

Carregadores querem saber mais sobre os sobrecustos da redução das emissões de enxofre

Que os custos vão aumentar de forma substancial para os transportadores com as novas regras da IMO sobre o teor de enxofre não há dúvidas. Há análises que apontam para que as companhias tenham custos adicionais de 13 mil milhões de euros por ano e que uma roundtrip no Ásia-Norte de Europa custe mais 860 mil euros.

O que os carregadores condenam é a falta de clareza das fórmulas de cálculo para os novos BAF, já anunciados por Maersk Line, MSC e CMA CGM, que os consideram medidas injustificadas e uma desculpa para aumentar os preços dos fretes.

Os dois parceiros da aliança 2M (Maersk e a MSC) vão, aliás, implementar os BAF a 1 de Janeiro de 2019, um ano antes das normas da IMO entrarem em vigor.

Companhias não dissipam dúvidas

“Uma crítica de longa data dos carregadores é que os métodos de cálculo dos BAF das transportadoras permanecem pouco transparentes, sem uniformidade e poderiam envolver um elemento de geração de receita, em vez de servir apenas para recuperar os custos do bunker e ajudar as transportadoras a lidarem com flutuações inesperadas dos preços dos combustíveis”, explicam desde a Alphaliner.

A nota da consultora acrescenta que as actuais práticas “não ajudaram a dissipar as preocupações dos carregadores”, observando que a presente tarifa de sobretaxa de bunker da Maersk “não reflecte com precisão os custos de combustível”.

Aceitando que os cálculos do BAF “permanecerão altamente complexos e que as transportadoras terão abordagens diferentes sobre como calcular a sobretaxa”, a Alphaliner considera que as companhias transportadoras devem incorporar “todos os componentes” que afectam os seus custos com o combustível para satisfazer as preocupações dos carregadores.

Regulamentos pouco caros

Também um inquérito feito pela Drewry Supply Chain Advisors a carregadores, BCO e transitários revela que estes operadores consideram que, além da falta de transparência das transportadoras, há “pouca consciência e compreensão dos novos regulamentos”.

Com efeito, cerca de um terço dos entrevistados admitiu falta de compreensão dos regulamentos de emissões da IMO.

“O nível de incerteza actual quanto ao impacto total de custos é tão elevado que ninguém é capaz de fornecer uma previsão fiável do custo de conformidade. A única certeza é de que o custo extra chegará a milhares de milhões de dólares globalmente em 2020”, explicam desde a Drewry.

Descrevendo o novo limite de teor de enxofre da IMO como um “evento de mudança muito significativo em toda a indústria”, Philip Damas, da Drewry, também realça a importância de haver clareza da parte das companhias de transporte marítimo.

“Dada a escala dos custos adicionais provocados pela nova regulamentação”, diz, importará que as transportadoras dêem resposta às “preocupações de transparência expressas pelos seus clientes”.

 

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