A Área Metropolitana de Lisboa lançou hoje o concurso público de 1,2 mil milhões de euros para criar a Carris Metropolitana, que cobrirá todos os 18 municípios.

É o “maior concurso que o país já alguma vez lançou do ponto de vista de serviços rodoviários” aquele que foi hoje lançado pela AML.  Segundo Fernando Medina, presidente do Conselho Metropolitano da AML, o mais tardar até meados do próximo ano a frota de autocarros, dividida em quatro lotes de concessão, vai funcionar segundo uma marca única: a Carris Metropolitana.

“O que vamos ter é mais de 40% da oferta de autocarros do que havia hoje, numa rede única. O que é que significa isto? Significa que vamos ter novas linhas, novas ligações que não existiam até agora. Vamos ter nas ligações existentes mais oferta, isto é mais pontualidade, menos intervalo entre autocarros. E vamos ter também horários em que esses autocarros não existiam e que vão passar a existir em horários nocturnos, em horários de fim de semana”, disse.

“Pela primeira vez é feita uma rede que é desenhada de raiz, em que se tem em conta as necessidades das pessoas e aquilo que são os trajectos que as pessoas necessitam fazer. Ora isto no conjunto dos 18 municípios da AML”, acrescentou.

Os quatro contratos de concessão (dois na Margem Norte e dois na Margem Sul) deverão ficar decididos em Agosto e terão uma duração de sete anos. Prevê-se um período de transição de dez meses. O preço terá um peso de 85% na avaliação e a frota de 15%. No arranque, a idade média da frota não poderá exceder os oito anos (e nenhum veículo poderá ter mais de 16), mas no quinto ano da concessão terá de ter baixado para os seis anos (com um máximo absoluto de 12 anos).

A oferta de transportes aumentará 40%, ou 26,8 milhões de km/ano. Os concessionários serão pagos pela produção quilométrica.

Para este concurso, os 18 municípios envolvidos contribuirão com 250 milhões de euros, sublinhou Fernando Medina.

AML quer Soflusa, Transtejo e Metropolitano

Este mega-concurso internacional será um passo para que a AML venha a gerir todos os restantes transportes públicos na sua área, entre os quais a Soflusa, a Transtejo e o Metropolitano de Lisboa.

Segundo o ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, presente na cerimónia, “não faz qualquer sentido que ministro algum se ponha em bicos de pés a dizer que isto é meu”, quando as autarquias, que estão mais próximas das pessoas, poderão realizar uma boa gestão. Foi por isso que a Carris foi entregue à Câmara de Lisboa, salientou.

“É com expectativa que nós vemos a opção que vai ser desenhada pela Área Metropolitana de Lisboa para muito depressa criarmos condições para que a Transtejo e a Soflusa sejam geridas por esta Empresa Metropolitana de Lisboa ou pelas autarquias que, dentro dela, a quiserem gerir”, sublinhou.

O ministro assegurou que o Governo não se vai desresponsabilizar de nada, porque “o concurso está lançado, os barcos vão ser adquiridos, estarão aí no prazo certo”, e está disponível para ajudar nos novos modelos de gestão que venham a ser concretizados.

“Faz sentido ser o Estado central a gerir esta empresa? Não faz e o mesmo digo relativamente ao Metropolitano de Lisboa, reconhecendo que, aqui, há um esforço de investimento muito grande a ser feito”, disse, considerando que o Governo está disponível para discutir a entrega deste meio de transporte, mas pretende “entregar o Metropolitano de Lisboa com uma rede muito mais robusta do que aquela que hoje já tem”.

“Parece-nos que, se calhar, é prematuro imaginar uma situação de transferência a um/dois anos”, disse.

Segundo o ministro, cabe agora à AML e às suas autarquias “definir quais são os grandes investimentos que virão aí”, se “serão no Metro, no Metro Ligeiro ou em modelos de BRT” (autocarros rápidos)”.

“Já agora, se existe no PNI [Programa Nacional de Investimentos 2030] uma repartição entre estes valores, não percam muito tempo com ela”, disse, destacando que “há 1 100 milhões de euros para investir no próximo ciclo” e
“isso é que conta”.

“Ficamos mesmo à espera da vossa proposta. Queremos mesmo que essa proposta seja uma proposta articulada”, sublinhou, salientando que o Governo estará “sempre disponível” para “participar na gestão dos novos modos de transporte que possam vir a ser concretizados”.

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