Não será de comboio, nem de barcaça que as primeiras cargas de carvão sairão de Tete para o porto da Beira, em Moçambique. A opção rodoviária é mesmo a única disponível no imediato, e é a ela que a Vale terá de recorrer.

O primeiro carvão mineral a ser exportado pela brasileira Vale terá de ser transportado em camiões desde Moatize, na província de Tete, até ao porto da Beira, na província de Sofala, a fim de respeitar as datas já anunciadas pelo grupo, de acordo com o jornal moçambicano “O País”.

A Vale Moçambique anunciou recentemente que o primeiro lote de exportação de carvão mineral embarcaria em Julho, a partir do porto da Beira, onde chegaria, supostamente, através da linha de Sena. Porém, o ministro dos Transportes e Comunicações de Moçambique anunciou esta semana que só em Setembro estarão concluídas as obras de reconstrução daquela linha de caminho-de-ferro.

Assim sendo, e caso queira manter o calendário previsto, a Vale Moçambique terá mesmo de optar pela via rodoviária para garantir o escoamento do carvão de Moatize até ao porto da Beira. A opção está muito longe de ser a ideal, por causa dos custos envolvidos mas sobretudo por força da menor capacidade de transporte dos camiões face aos comboios.

Mesmo quando estiver operacional, a linha do Sena não terá capacidade bastante para escoar todo o carvão que será produzido e exportado a partir da província moçambicana de Tete. Razão por que a brasileira Vale se propõe construir uma via férrea a ligar ao corredor de Nacala, e a australiana Riversdale projecta dragar o Zambeze para nele fazer circular comboios de barcaças.

Ambas as soluções consomem muito dinheiro, mas sobretudo demoram tempo a implementar. Pelo que a linha do Sena é mesmo a única alternativa. Na falta dela, restará a rodovia.

A linha férrea do Sena esteve inactiva durante 27 anos, na sequência da destruição provocada pela guerra civil.

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