Um país que não consegue explorar os seus recursos naturais é um país que tem um futuro limitado e que se arrisca a acabar por ver esses recursos serem explorados por terceiros, avisou o Presidente da República.

Cavaco Silva criticou o alheamento do País relativamente às questões do mar, alheamento esse que contrasta, e muito, com o interesse que geram as discussões sobre outros temas.

“Espanta a muitos, dada a importância estratégica dos nossos portos, que possamos discutir meses e anos a fio o TGV ou o novo aeroporto de Lisboa sem que paremos um pouco para pensar nos portos do futuro”, afirmou na sessão de abertura do Congresso “Portos e Transportes Marítimos”.

O tema da economia do mar tem sido recorrente em várias intervenções públicas do “inquilino” de Belém, como o próprio fez questão de sublinhar, lembrando as últimas comemorações do “25 de Abril”.

O facto é que, disse, “de acordo com estudos efectuados pela Comissão Europeia, nos sectores marítimos tradicionais, isto é nos transportes, portos e construção naval, Portugal gera um valor que é mais de três vezes inferior ao valor gerado pela Bélgica, um país que tem apenas 98Km de costa e gera, igualmente, três vezes menos emprego do que a Grécia. A Espanha gera, com o seu “cluster do mar”, sete vezes mais valor do que Portugal. E a Dinamarca, um país com bastante menos população do que o nosso, produz seis vezes mais valor e três vezes mais emprego nos sectores marítimos, do que Portugal”.

Cavaco Silva desafiou, por isso, os presentes no Congresso a empenharem-se na reinvenção da economia nacional e no desenvolvimento de um verdadeiro cluster do mar, começando pelos portos e pelos transportes marítimos.

A propósito, o PR disse que “por incrível que pareça, Portugal – um país dotado de uma extensa costa e de muitos portos de mar – chegou a um ponto em que, descontando o tráfego com as Ilhas, deixou de possuir uma frota de marinha mercante”.

“Situação tanto mais grave quanto, no futuro, ainda mais do que hoje, se afigura ser importante para o país poder contar com a via marítima para encaminhar as suas exportações”, prosseguiu, lembrando a necessidade de criar alternativas ao transporte rodoviário, cada vez mais condicionado na sua actividade.

Cavaco Silva presidiu à abertura do Congresso dos Portos e dos Transportes Marítimos, uma iniciativa liderada pela Associação Comercial de Lisboa, que visa dar seguimento ao trabalho iniciado com o estudo da SaeR sobre o cluster do mar.

O TRANSPORTES & NEGÓCIOS disponibiliza em www.transportesenegocios.com o vídeo integral da participação do PR neste Congresso.

Os comentários estão encerrados.