Empresas detidas, directa ou indirectamente, pelo Estado chinês, já controlam 10% da capacidade dos terminais de contentores da Europa, revelam dados da OCDE.

O movimento não é de agora, mas acelerou com a implementação da estratégia One Belt One Road promovida por Pequim, e também com o maior protagonismo da Cosco, que não esconde a pretensão de tornar-se a maior companhia de transporte marítimo de contentores a nível mundial.

E porque dinheiro não é, aparentemente, um problema, as compras sucedem-se no espaço europeu. Uma lista não exaustiva inclui a aquisição do terminal de contentores de Kumport, na Turquia, de 51% do porto de Pireu, na Grécia, de 49,9% do porto de Vado, em Itália, de 35% do terminal Euromax, em Roterdão, Holanda, de 49% do terminal de contentores da CMA CGM em Marselha, França, de 51% da Noatum Ports, em Espanha, de 100% do terminal de contentores de Zeebrugge, na Bélgica.

E com isto, o peso da China nos terminais de contentores europeus praticamente duplicou e atingiu os 10% da capacidade instalada.

Ao invés, não são conhecidas posições relevantes de operadores europeus nos portos chineses.

A avidez chinesa pelas infra-estruturas de transportes europeias não se confina, de resto, aos portos e terminais de contentores. Pelo contrário, têm-se multiplicado os investimentos de empresas controladas por Pequim em estradas e ferrovias (em particular no Centro e Leste europeu), mas também em aeroportos, companhias aéreas, operadores de handling, etc., aqui com uma clara prevalência do grupo HNA, accionista da TAP.

 

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