O Presidente chinês anunciou hoje que a China deverá importar 40 biliões de dólares em bens e serviços nos próximos 15 anos, no arranque de uma feira que promove o país como importador.

China prevê aumentar importações de bens e serviços

Xi Jinping estimou que a China vai precisar de comprar ao resto do mundo 30 biliões de dólares (26 biliões de euros) em bens, e 10 biliões em serviços (8,7 biliões de euros), no discurso de abertura da Feira Internacional de
Importações da China, perante uma audiência composta por vários chefes de Estado e de Governo, incluindo o primeiro-ministro russo, Dmitry Medvedev.

“É o nosso sincero compromisso abrir o mercado chinês”, afirmou Xi Jinping, que prometeu que a China “vai abraçar o mundo”.

As potências ocidentais não enviaram delegações ao mais alto nível ao evento, reflectindo o desagrado com as práticas comerciais de Pequim, que acusam de violar os seus compromissos de abertura do mercado.

Portugal é representando pelo ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural português, Luís Capoulas Santos, pelo secretário de Estado da Agricultura e Alimentação, Luís Medeiros Vieir, e por uma delegação da AICEP – Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal.

Grupos empresariais queixam-se de que Pequim está a ampliar as suas importações, visando atender à procura dos consumidores e fabricantes domésticos, mas bloqueia o acesso a vários sectores.

Washington e Bruxelas condenam a transferência forçada de tecnologia por empresas estrangeiras, em troca de acesso ao mercado, a atribuição de subsídios a empresas domésticas e obstáculos regulatórios que protegem os grupos chineses da competição externa.

Na semana passada, os embaixadores da França e Alemanha em Pequim emitiram um comunicado conjunto a apelar a mudanças, incluindo o fim de regulamentos que forçam as empresas estrangeiras a fazer ‘joint-ventures’ com firmas estatais locais.

Mas Xi Jinping apelou aos críticos que resolvam os seus próprios problemas antes de acusarem a China.

“Cada país deve trabalhar no duro para melhorar o seu ambiente de negócios. Não se podem embelezar enquanto criticam os outros ou apontar o foco sobre outras pessoas sem olharem para si próprios”, afirmou.

A China pratica um capitalismo de Estado, em que os sectores importantes da economia são dominados por grupos estatais, e interdita o acesso de empresas estrangeiras ao mercado chinês, enquanto as firmas chinesas compraram, nos últimos anos, empresas e activos estratégicos em todo o mundo.

Um plano de modernização designado “Made in China 2025” visa transformar as firmas estatais do país em líderes globais em sectores de alto valor acrescentado, como inteligência artificial, energia renovável, robótica e carros eléctricos.

Cerca de 3 600 empresas oriundas de 152 países, incluindo de Portugal, de todos os sectores, participam no evento de cinco dias em Xangai.

Xi Jinping prometeu maior abertura no sector das telecomunicações, serviços de saúde, educação ou cultura, sem avançar com mais detalhes.

Xi não referiu as disputas comerciais com os Estados Unidos, em torno das ambições chinesas para o sector tecnológico, mas numa indirecta ao líder norte-americano, Donald Trump, afirmou que “o sistema de comércio multilateral deve ser defendido”.

A China reduziu taxas alfandegárias e anunciou outras medidas este ano, visando impulsionar as importações, que aumentaram 15,8%, em 2017, para 1,8 biliões de dólares. Mas não endereçou as queixas de Washington, que levaram Trump a impor taxas alfandegárias de até 25% sobre cerca de metade das importações oriundas da
China.
Pequim retaliou com taxas sobre vários bens norte-americanos.

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