O governo francês anunciou hoje a suspensão do aumento da taxa sobre o combustível, mas o movimento dos “coletes amarelos” não desmobilizou e prevê novas manifestações.

Coletes amarelos mantêm bloqueios em França

Envolto na crise provocada pelo movimento dos “coletes amarelos”, o governo francês anunciou hoje a suspensão de um aumento nas taxas de combustível para “trazer de volta o apaziguamento” ao país.

Depois de receber sindicatos e políticos segunda-feira, o primeiro ministro francês apresentou esta terça-feira medidas que procuram “trazer calma e serenidade ao país”.

“Nenhum imposto merece pôr em perigo a unidade da nação”, disse Édouard Philippe num discurso na televisão, acrescentando que “seria necessário ser surdo” para “não ouvir a raiva” dos
franceses.

Segundo os analistas, este anúncio representa um revés para Emmanuel Macron, que, desde o início do seu mandato, fez questão de não ceder às ruas.

O plano para acabar com a crise inclui uma moratória de seis meses sobre o aumento dos impostos sobre os combustíveis e um congelamento das tarifas de gás e electricidade neste Inverno, entre outras medidas.

As medidas deverão conduzir a um aumento do défice de quase dois mil milhões de euros para as finanças públicas, equivalente a 0,1 ponto do PIB, mas “o curso da redução da dívida será mantido”, assegurou na sequência o ministro das Finanças, Bruno Le Maire, procurando tranquilizar os seus parceiros europeus.

Os empresários já se congratularam terça-feira com esta medida governamental.

“Os anúncios do primeiro-ministro abriram a via do diálogo”, afirmou Alain Griset, presidente da União de empresas de proximidade, representando artistas, comerciantes e profissões liberais.

Mas os “coletes amarelos” não estarão dispostos a desmobilizar. Eric Drouet, um dos membros mais conhecidos do movimento, já convocou um regresso a no sábado, “perto de locais de poder, dos Campos Elísios, do Arco do Triunfo, da [Praça da] Concórdia”.

“As pessoas estão cada vez mais motivadas, estão a organizar-se, seremos ainda mais numerosos”, disse Drouet à “France Presse”. Benjamin Cauchy, outra das figuras do movimento, reconheceu um “primeiro passo” nas medidas do governo. Mas “os franceses não querem migalhas”, disse.

Facto é que os anúncios do governo podem não ser suficientes para acalmar a ira dos manifestantes. Se uns decidiram levantar os bloqueios , julgando “satisfatórias” as concessões do Executivo, muitos outros continuam as suas acções.

No entretanto, centenas de camionistas portugueses continuam retidos em França.

 

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