O aumento da movimentação de cargas nos principais portos nacionais traduziu-se também num incremento da quota do transporte ferroviário nas ligações aos hinterlands.

Sines

Lenta mas paulatinamente, a ferrovia vai ganhando protagonismo no transporte de cargas de/para os portos nacionais. Ao ponto de as várias administrações portuárias fazerem questão de referir o seu crescimento na apresentação dos seus resultados.

Setúbal é o caso mais recente. O porto liderado por Vítor Caldeirinha reclama o segundo lugar no ranking nacional, com uma quota de 34% no total de comboios de mercadorias realizados nos portos nacionais, em 2014. Em Setúbal, di-lo a APSS, terão sido cerca de 5 500 composições. Mais 33% que em 2013.

As mercadorias assim movimentadas foram sobretudo ferros, cimento, contentores de Portugal e Espanha, concentrado de cobre, madeiras e clínquer.

Setúbal insiste, por isso, na importância dos projectos da ligação à Termitrena e da melhoria do acesso ao Triângulo das Praias do Sado e à zona central do porto, inscritos no PETI. Com eles, será possível, é dito “a quase duplicação do número de comboios nos próximos dez anos”.

Em Aveiro, o transporte de mercadorias por via férrea, através do ramal que liga o porto à plataforma de Cacia, cresceu no ano passado 5,96% em relação a 2013 (52,25% em relação a 2012). E com isso, a quota modal da ferrovia atingiu os 15,32%. Aveiro, note-se, movimentou no ano findo um recorde de 4,5 milhões de toneladas.

Por isso, a administração de José Luís Cacho sustenta que Aveiro está “acima da média portuguesa e ibérica neste importante indicador multimodal”.

E as perspectivas de futuro não podem deixar de ser optimistas, com a electrificação do ramal ferroviário, já em curso, e, num horizonte mais longínquo, com a prometida ligação à fronteira de Vilar Formoso.

Sines é o primeiro porto nacional também na movimentação de cargas por ferrovia, muito por culpa do Terminal XXI e das operações da MSC (e não só) com os terminais da Bobadela e do Entroncamento.

No ano passado, segundo os dados da APS de João Franco, o tráfego ferroviário de contentores com o hinterland aumentou 36% em termos homólogos. E o número de comboios (de contentores) aumentou 40%.

O porto alentejano, como é sabido, será um dos principais beneficiários – mas também uma das principais justificativas – para a construção da ligação ferroviária à fronteira para o tráfego de mercadorias.

A CP Carga detém praticamente o “monopólio” do transporte ferroviário de mercadorias de/para os portos, e em consequência este negócio tem cada vez mais peso nos seus indicadores de actividade e económico-financeiros.

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