Mudar o trajecto entre paragens para fugir ao trânsito, ou “saltar” paragens onde não há passageiros para embarcar/desembarcar, é a proposta do “Quantum Shuttle” da Carris.

Desde ontem, e a propósito da Web Summit, em Lisboa, a Carris está a testar nove autocarros equipados com computadores quânticos que escolhem os melhores percursos do transporte público. O projecto é da Volkswagen.

“Isto é uma aplicação das novas tecnologias à mobilidade dentro das cidades, é um caminho que temos todos de percorrer. As novas tecnologias ajudam a reduzir o tempo das deslocações e a poupar nas emissões de gases com efeitos de estufa”, salientou o ministro de Estado, da Economia e Transição Digital, Pedro Siza Vieira, durante a sessão de teste onde esteve juntamente com o Chief Information Officer (CIO) da Volkswagen, Martin Hofmann, e o vereador para a Segurança e Mobilidade da Câmara Municipal de Lisboa, Miguel Gaspar, além da administração da Carris.

Em declarações aos jornalistas, o governante afirmou que o projecto piloto “tem a vantagem de se tratar de soluções desenvolvidas em Portugal”, pelo centro da Volkswagen em Lisboa, que instalou nos novos autocarros da Carris um sistema que calcula em tempo quase real o trajecto mais rápido entre cada paragem.

Esta parceria da empresa alemã com a Carris resultou numa aplicação experimental que, segundo o ministro, “há-de permitir no futuro, usando computação, definir os melhores percursos para os transportes públicos”. Mas isso só acontecerá, frisou, assim que se puder “passar do projecto experimental para uma solução regularmente disponível”.

O vereador para a Segurança e Mobilidade da Câmara Municipal de Lisboa, Miguel Gaspar, considerou “muito útil” a tecnologia instalada nos nove autocarros: “Com um autocarro conseguimos chegar a 100 pessoas e fazê-las perder menos tempo. Imaginem esta tecnologia num sistema de resíduos urbanos, num táxi, no carro, conseguindo reduzir o congestionamento das cidades e das emissões poluentes”.

O vereador adiantou que o sistema “está desenhado para grandes eventos”, como o Rock’n Rio, ou encontros que juntem muita gente.

“[O Rock in Rio] é um sítio perfeito para podermos usar esta solução. No entanto, se pensarmos na dificuldade na rede da madrugada [da Carris] em Lisboa (…) onde é importante soluções que cheguem a toda a gente, a mais sítios da cidade, em que não faz sentido os autocarros circularem vazios, mas faz sentido os autocarros irem ter com as pessoas, onde elas estão. Há aí um enorme potencial, é nisso que estamos a trabalhar para encontrar essas soluções, embora o serviço regular de 80 carreiras da Carris vá continuar a existir”, precisou Miguel Gaspar.

O sistema agora testado permite desviar um autocarro de uma rota normal quando não há passageiros em todas as paragens, por exemplo.

“Imagine um serviço a funcionar às quatro da manhã que só entra num bairro se souber que há lá um passageiro naquele bairro. Pode-se poupar o desvio de cinco minutos de entrar e sair de um bairro, reduzindo o tempo de transporte”, explicou o vereador, acrescentando que o novo sistema também permite “informar com todo o rigor” do tempo de demora para chegar um autocarro, melhorando a fiabilidade desta informação que já existe.

Para o CIO da Volkswagen, Martin Hofmann, Portugal é um cenário perfeito para a realização dos testes. “Estamos em Portugal há muitos anos [num centro em Lisboa], conhecemos bem o país e em Lisboa há a Web Summit, o primeiro evento a testar a tecnologia na cidade”, disse.

O serviço tecnológico, designado “Quantum Shuttle”, será testado até amanhã, quinta-feira, em quatro rotas, três
das quais com destino ao recinto da Web Summit, na Expo, e daquele recinto até ao Cais do Sodré.

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