A Comunidade Portuária de Setúbal (CPS) insiste em que o porto do Sado tem  fazer condições para fazer o mesmo, e mais barato, que a agora anunciada Plataforma Multimodal do Barreiro (TMB), e critica a ausência dos projectos Setúbal Plus e Atlantic Bay da Estratégia para o Aumento da Competitividade Portuária.

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Na origem da tomada de posição da CPS está, é dito no comunicado, a mudança no discurso oficial sobre o projecto do Barreiro, de terminal de contentores de águas profundas para “plataforma logístico-industrial para dinamizar a economia da Península de Setúbal e em particular o Barreiro”, citando a presidente do Porto de Lisboa (que é também presidente do Porto de Setúbal).

“Se estamos a falar de uma nova infraestrutura para a exclusiva movimentação de contentores, mesmo como investimento em capacidade excedentária, incluindo dragagens, quer de primeiro estabelecimento, quer as de manutenção, mas desde que assumida integralmente por capitais privados e sem prestação de garantias do Estado, nada obstará à sua prossecução”, refere a CPS.

“Mas se o conceito evoluir para um terminal tipo multiusos, possibilitando a movimentação de outras cargas adstritas ao mesmo “hinterland” que já assiste ao porto de Setúbal, então estaremos na primeira linha para “contrariar” o projecto”, acrescenta.

Em defesa da sua posição, a Comunidade setubalense insiste na capacidade disponível no porto do Sado, capacidade essa que será exponenciada pela melhoria das acessibilidades marítimas, colocando Setúbal  “em paridade muito semelhante ao actual paradigma TMB. Com a agravante que as obras de Setúbal terão custos à volta dos 25,2 M de euros (metade dos quais provenientes de fundos comunitários), enquanto o projecto Barreiro aponta para valores astronómicos na ordem dos 600 M de euros, desconhecendo-se ainda o que poderá vir a ser gasto, e por quem, em acessibilidades, para além dos 600 mil euros entretanto já em curso para estudos e levantamentos da obra, por conta do Estado”, sublinha o comunicado.

“A este propósito, é indispensável invocar os próprios números constantes da “Estratégia para o Aumento da Competitividade Portuária”, no que respeita ao investimento estimado para o período 2016-2026, versus crescimento da carga, segundo os quais o porto de Setúbal apenas necessita de 5,6 M de euros por cada milhão de toneladas de crescimento, enquanto o mesmo rácio para Lisboa é de 133,2 M de euros, ou seja, quase 24 vezes mais investimento para obter níveis de crescimento similares”, reforça.

A propósito da Estratégia governamental, a CPS refere a ênfase colocada no investimento privado (83% do total previsto) em Lisboa, Leixões e Sines, e diz: “para nós, incompreensivelmente, nada é referido quanto aos projectos “Setúbal Plus” e “Blue Atlantic”, este de iniciativa igualmente privada, enquanto infraestruturas de expansão natural do porto de Setúbal, a custos incomparavelmente mais baixos e com índices de rentabilidade de muito menor incerteza que qualquer outro a construir de raiz e em condições de tanta controvérsia e por isso mesmo, de tão alta polémica”.

A concluir, a CPS assume que “o aumento da competitividade dos portos portugueses deverá assentar em critérios de racionalidade e sustentabilidade no investimento, quer público, quer privado” e critica, “por isso, a multiplicação de infraestruturas equivalentes, privilegiando-se definitivamente o foco na competitividade, na eficácia e nas respostas concretas às necessidades do mercado real, sem utopias ou desfasamentos de cenários com muitos “estudos encomendados” que normalmente nos arrastam para o mundo da fantasia”.

 

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  1. É 1 vergonha o que esta Ministra do Mar e ex-secretária de estado dos transportes está a fazer há mais 1 ano, ainda não renegociou 1 única concessão portuária de contentores e são 3 as mais importantes por ordem de prioridade : Leixões, Setúbal e Lisboa. E gasta dinheiro e perde tempo com a aberração de 1 hipotético novo terminal contentores no Barreiro quando ao lado em Setúbal existem todas as infraestruturas que podem acomodar a transferência do movimento dos 2 terminais da capital : alcãntara e stâ apolónia sem gastar dinheiro ao contrário do Barreiro que exige construir tudo de novo, os valores em comaração são “apenas” de 1 para 10, ou seja, no Barreiro falamos de 600 milhões euros e Setúbal 60 milhões, tenha vergonha senhora Ministra “jamais” do Mar, Portugal não pode desperdiçar dinheiro que não tem como no tempo do seu Ministro “jamais” Mário Lino, vergonha

  2. errata : “… em comparação …”