A CDU de Loures e a Associação de Defesa do Ambiente de Loures (ADAL) querem a reversão da concessão do terminal ferroviário da Bobadela. A IP alerta para os prejuízos para a economia.

A concessão do terminal de contentores da Bobadela, por cinco anos, à MSC Entroncamento está a ser criticada pelos que defendem a deslocalização do terminal e a reabilitação da zona, agora à boleia sas Jornadas Mundiais da
Juventude, previstas para 2022.

As críticas renovadas têm surgido por parte da concelhia da CDU de Loures e da Associação de Defesa do Ambiente de Loures (ADAL), que defendem “há vários anos” a deslocalização do terminal de contentores.

Essa “esperança” renasceu quando a zona onde está integrado o complexo Ferroviário da Bobadela, designada por “Parque Tejo”, foi escolhida para acolher em 2022 as Jornadas Mundiais da Juventude, o maior evento católico do mundo.

No entanto, agora a IP adjudicou à MSC Entroncamento a concessão do Parque Sul, por um período de cinco anos (prorrogável duas vezes por um ano). No final do ano passado fez o mesmo relativamente ao Parque Norte, com a ALB.

“Isto é um absoluto contrassenso face às tentativas de reabilitação daquela zona. Além disso, é uma negação daquilo que é a vontade e o anseio dos moradores da Bobadela”, afirmou à “Lusa” Rui Pinheiro, da ADAL.

Para o ambientalista, havia uma “perspectiva positiva” de que com este evento seria possível “expulsar os contentores e revitalizar a zona ribeirinha”, que agora é posta em causa com a decisão da IP.

“Creio que não existe uma obrigação legal, até porque estão a ser desenhadas alternativas”, sublinhou Rui Pinheiro, referindo-se à possibilidade de deslocalização dos contentores para a plataforma logística da Castanheira do Ribatejo, no concelho de Vila Franca de Xira.

No mesmo sentido, a CDU de Loures, que já apresentou na Assembleia Municipal uma moção a favor da retirada dos contentores, aprovada por unanimidade, considera que a decisão de concessão “deve ser revertida pelo Governo”.

“Durante décadas, a frente ribeirinha do Tejo em Loures sofreu um processo de degradação. Esta decisão é contrária à defesa da qualidade de vida das populações de Loures e um entrave à reconversão ambiental e urbanística da frente ribeirinha do Tejo”, referem os comunistas, em comunicado.

Bobadela tem relevância estratégica

Numa resposta escrita enviada à “Lusa”, fonte oficial da IP sublinha que o Complexo Ferroviário da Bobadela “tem uma importante relevância estratégica para a economia do país”.

“Atenta a importância do Complexo da Bobadela, considera-se que a interrupção da sua actividade, mesmo que temporária, prejudicaria severamente o transporte ferroviário de mercadorias, contrariando tudo o que tem vindo continuadamente a ser defendido pela União Europeia e pelo Governo para este sector”, sublinha a IP.

Relativamente à requalificação do espaço para acolher as Jornadas Mundiais da Juventude, a IP ressalva que ainda é desconhecida a “concreta localização” do evento, “bem como os terrenos previstos para a sua implementação”, considerando, por isso, que não existe “qualquer impedimento motivado pela actividade do
Complexo Ferroviário da Bobadela”.

“Caso não se verifique este entendimento será necessário avaliar previamente todos os impactos e consequências, também financeiras, para a economia nacional, de uma eventual interrupção temporária da actividade neste Complexo, o que certamente seria feito, de forma concertada, por todas as entidades envolvidas na procura das melhores soluções”, conclui a IP.

This article has 4 comments

  1. É inacreditável a taxa insucesso do anterior Ministro Pedro Marques no FERROVIA 2020, em 4 anos concluiu 4% do total, em obra 8% e candidatou 16%, pior éimpossível !!!

  2. … pior é impossível !!!

  3. Devido atraso no FERROVIA 2020 que apenas terminará os investimentos na FERROVIA 2030 Poertugal já desceu no ranking internacional da acessibilidade / mobilidade 20 lugares estando nos últimos lugares dos países da UE !

  4. Tinham que ser os COMUNISTAS a “deitar abaixo” o crescimento económico, apesar das sucessivas e muitas derrotas eleitorais que os vão fazendo desaparecer de Portugal (no resto da UE já não há !), não desistem de fazer mal à economia portuguesa porque a ferrovia é movida a electricidade logo é economia limpa, vergonha !