Nem só a CP Carga sobrevive à conta do erário público. Em França, a Fret SNCF acumula um passivo de mais de 3,5 mil milhões de euros. A Autoridade de Regulação das Actividades Ferroviárias (ARAF) gaulesa suspeita de subsidiação cruzada dentro do grupo SNCF.

Transport ferroviaire, Ouverture de la ligne Cognac Le Havre par Naviland Cargo et Fret SNCF

De acordo com os números divulgados pela ARAF, a Fret SNCF vem acumulando prejuízos ano após ano, tendo chegado ao final de 2013 com um passivo de mais de 3,5 mil milhões de euros. Isto depois de, em 2005/2006 ter beneficiado de uma injecção de 1,4 mil milhões de euros da parte do Estado francês e da SNCF.

“Uma companhia independente, a operar nas mesmas condições da Fret SNCF e com resultados negativos e uma estrutura de capitais equivalentes não teria sido capaz de sobreviver tanto tempo”, sublinhou, em jeito de alerta, o presidente da ARAF.

A SNCF “tem de conformar-se com a Directiva comunitária que estipula a clara separação das contas de cada ramo de actividade dos grupos ferroviários”. Por isso, a ARAF deu à SNCF até ao final do ano para cumprir, acrescentou Pierre Cardo.

Do lado da Fret SNCF, um porta-voz da empresa, também ouvido pelo “Lloyd’s Loading List.com”, considerou “lamentável” o facto de o regulador estar a passar uma imagem negativa da companhia, baseada sobretudo nos anos de crise económica.

“Em 2014, a Fret SNCF atingiu perdas operacionais de 116 milhões de euros [contra os 450 milhões de prejuízos de 2010, por exemplo]. Em 2015, esperamos reduzir de novo as perdas para cerca de 90 milhões de euros e continuamos a trabalhar para atingirmos o break-even no futuro próximo”, destacou.

 

Por cá, a CP Carga está em processo de privatização. Caso a venda falhe, adiantou o “Público”, o Governo já terá decidido o encerramento da empresa, que acumula um passivo de 83 milhões de euros. A justificar a decisão, acrescenta o jornal, estará o receio de que Bruxelas impeça a CP de continuar a financiar a sua participada para o transporte ferroviário de mercadorias.

 

 

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  1. Deixem a cp/carga trabalhar sem que o governo e a CP imponham as revisões de material circulante na EMEF; telefones na REFER imposição de preços também nã esquecer que se for comprada por uma empresa estrangeira os impostos deixam de ser pagos em portugal num volume de negocios de 170 milhões quanto perde o Pais em iva