Seis meses volvidos, a administração da Carris ainda não recebeu do Governo uma proposta à sua proposta de contratualização do serviço público.

“É um contrato mais responsabilizante para nós, que coloca o risco comercial do lado do operador, muito simples de definir, de fiscalizar e de aplicar”, referiu a propósito o presidente da transportadora, Silva Rodrigues, citado pelo “DE”.

Poderá ser simples mas custará qualquer coisa como 60 milhões de euros anuais, segundo o mesmo responsável. Muito dinheiro para uma época de aperto das contas públicas, ou talvez não, se se tiver em conta que aquele valor é sensivelmente igual ao que o Estado paga actualmente como indemnizações compensatórias. No ano passado foram 53,9 milhões de euros.

E se é verdade que as indemnizações compensatórias podem variar de ano para ano, de acordo com as opções do Governo, também é verdade que não têm uma contrapartida definida em termos de prestação do serviço público de transportes.

A proposta terá sido entregue pela administração da Carris à tutela em Março, e actualmente “estamos a aguardar informações”, acrescentou ao “DE”. Silva Rodrigues.

A contratualização do serviço público não resolverá a questão do passivo da empresa. A administração da Carris propôs, a esse propósito, ao Governo um plano para “limpar” a dívida em dez anos, que passaria por uma injecção de 650 milhões de euros do Estado na empresa até 2021, com 100 milhões a serem disponibilizados já em 2011. Actualmente o passivo da Carris ronda os 630 milhões de euros.

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