António Costa Silva propõe a retoma dos projectos de Alta Velocidade entre o Porto e Lisboa e do novo aeroporto de Lisboa, no plano de recuperação económica pedido pelo Governo.

No documento, o consultor convidado pelo Governo para apontar prioridades para o plano de recuperação da economia no pós-Covod, defende a necessidade de “construir um eixo ferroviário de Alta Velocidade Porto-Lisboa para passageiros, começando com o troço Porto-Soure (onde existem mais constrangimentos de circulação)”.

António Costa Silva justifica dizendo que tal ligação “potenciará a afirmação das duas áreas metropolitanas do país e o seu funcionamento em rede”, além de trazer “grandes ganhos ambientais por dispensar as ligações aéreas”.

“Uma posterior ligação a Espanha pode favorecer todo o litoral português e facilitar o equilíbrio financeiro da exploração. A ligação Porto-Vigo, bem como outras ‘amarrações ibéricas’, devem ser equacionadas no médio prazo”, acrescenta.

Ainda na ferrovia, o consultor defende que é preciso concluir “os projectos em curso e modernizar a rede, porque uma rede ferroviária eléctrica nacional é mais competitiva, mais limpa e está em sintonia com os esforços de descarbonização da economia”, lê-se no plano. E acrescenta “a construção do eixo Sines-Madrid e a renovação da Linha da Beira Alta”, dois “eixos fundamentais” para o tráfego de mercadorias para Espanha.

No domínio portuário, Costa Silva sugere o investimento “nos portos de Sines e de Leixões para aumentar ainda mais a sua competitividade em termos de instalações e equipamentos para receber grandes navios; para isso, é necessária maior extensão de cais, mais áreas de manuseamento de cargas e estruturação das plataformas logísticas, por forma a aumentar o valor das cadeias logísticas que passam pelos portos”.

Ainda a propósito de Sines, Costa Silva sugere “a construção de um terminal portuário de minérios para exportação dos recursos minerais estratégicos, em particular o lítio”.

O plano realça ainda a necessidade de “resolver o problema dos portos do Algarve”, assim como as questões “estruturais do porto de Lisboa”, “criando condições para o estabelecimento de uma plataforma de negociação que conduza a um pacto entre as empresas e as entidades sindicais que salvaguarde o funcionamento de uma estrutura que é vital e cuja paralisação continuada leva a uma degradação que afasta os operadores internacionais”.

Costa Silva vinca ainda a necessidade de “desenvolver um plano para reconverter o porto da praia da Vitória, nos Açores, numa “espécie de estação para fornecer gás natural liquefeito aos navios que cruzam o Atlântico”.

Para sector aeroportuário, o plano avança com a necessidade de “construir o aeroporto para a grande Área Metropolitana de Lisboa, tendo em conta que as ligações aéreas são fundamentais na performance da economia portuguesa, e isso tem a ver não só com o turismo, que é um sector crucial da economia, mas também com muitas outras fileiras económicas”.

Costa Silva destaca ainda a necessidade de “assegurar que todo o país, em particular a região Norte, onde há uma concentração elevada de empresas exportadoras, tenha uma cobertura adequada de ligações aéreas, que são essenciais para estimular a competitividade”.

Plano em discussão pública no final do mês

As propostas de António Costa Silva não são definitivas, nem vinculativas, sublinhou, entretanto, o primeiro ministro.

António Costa afirmou hoje que o documento é a versão preliminar do plano de recuperação que será apresentado no final do mês, seguindo depois para discussão pública.

“Os diferentes ministros têm estado a apreciar esse trabalho, nos próximos dias vão enviar comentários a esse trabalho e o objectivo que temos é que no final do mês deste mês possa ser apresentado pelo professor António Costa e Silva para discussão pública antes de o Governo o poder apreciar definitivamente”, disse.

Nessa fase, segundo o líder do executivo, o Governo vai então “incorporar” as medidas no desenho do programa de recuperação económica e também na proposta de Orçamento do Estado para 2021.

“Gostaria de sublinhar que aquilo que foi apresentado é uma primeira versão de trabalho, tendo em vista haver uma primeira contribuição, assim como tem estado a ser apresentado a outros agentes económicos, políticos e sociais. A apresentação para debate público será no final deste mês”, reforçou.

» Conheceça AQUI, na íntegra, as reflexões e propostas de António Costa Silva.

 

This article has 5 comments

  1. è decepcionante o projecto de recuperação económica apresentado pelo Engº Costa e Silva, já sabemos que trabalhos feitos com muita pressa “em cima do joelho” dão numa mão cheia de nada e foi o que apresentou, exepção feita à boa ideia de colocar a ilha Açores no mapa da ciência dos Mares, todas as ideias estão execução actualmente e mais importante era necessário “olhar” para o interior (50 % de Portrugal) com atenção de forma ambiciosa para corrigir muitas décadas de subdesenvolvimento, é triste.

  2. É …

  3. Portugal precisava que 2 das suas bases aéreas militares, Beja e Monte Real, sejam usadas para voos charter e low cost para atrair turismo respectivamente no Alentejo e centro, esta última tem concentrados locais com interesse Mundial como Fátima e todos os monumentos classificados pela UNESCO, como Alcobaça, Batalha e tb Tomar, além de outras locais belíssimos. Quanto Alentejo já se sabe que tem quer interior quer litoral, gastronomia e praias, podemos dizer que esta região tem TUDO

  4. É inacreditável o suposto plando do engº Costa Silva, vou dar outro exº, se vier ser implementado aumentava assimetrias entre litoral e interior, no litoral moram 4/5 nossa população e no interior 1/5, sendo que em termos de área interior maior que litoral é completamente ridículo ao nivel António Costa que teve para Portugal 4º pior desempenho do PIB em toda UE,lol

  5. Duas linhas que se vão tornar prioritárias são a continuação da linha do Douro até Salamanca e a ligação do Pocinho até Vila Franca das Naves.
    A actual empresa que explora as minas de Moncorvo quer exportar o minério por Aveiro e Sines além de Espanha.
    Pocinho a Vila Franca das Naves são 60 km de linha nova. Mas esta ligação permitirá também reencaminhar os comboios para Sines via Linha da Beira Alta e Beira Baixa, só vindo a ocupar na linha do Norte o troço entre o Entroncamento e o Setil.