Em 2016, a CP aumentou as receitas, reduziu as despesas, cortou nas perdas e atingiu um EBITDA positivo de 350 mil euros. E só pensa em ter mais comboios para responder à procura.

CP Alfa na Estação de Guimarães

No ano passado, a CP atingiu um resultado líquido negativo de 144,5 milhões de euros, melhor que os 278 milhões de euros negativos registados em 2015. Parte da melhoria resulta da alienação da CP Carga (deficitária) à MSC. Numa base like for like, a melhoria foi ainda de 209 milhões de perdas em 2o15 para 144,5 milhões em 2016, avança o “Público”.

A melhoria foi conseguida sobretudo pela via das receitas,que cresceram de 225 milhões para 239 milhões de euros, com quase todos os segmentos de passageiros a contribuírem, com destaque para o longo curso (serviços Alfa e Intercidades).

Do lado das despesas, a redução foi de apenas quatro milhões de euros (de 270 para 266 milhões), com o pessoal a custar 96 milhões e a taxa de uso 70 milhões.

Sem indemnizações compensatórias, a CP atingiu, assim, um EBITDA de 350 mil euros.

O passivo histórico é outra história. Mantém-se nuns estratosféricos 3,1 mil milhões de euros, depois de o Tesouro injectar 600 milhões de euros (com o que a empresa poupou alguns milhões de euros em juros).

CP pede ao Governo mais comboios

Animada pelos resultados conseguidos e pela perspectiva de continuar a ganhar clientes, a gestão de Manuel Queiró já pediu ao Governo autorização para comprar novos comboios.

A CP pretende, essencialmente, reforçar a oferta nos serviços de longo curso (aumentando as frequências e alargando a cobertura geográfica) e preparar-se para a liberalização do sector, tentando entrar em Espanha, tal como seguramente a Renfe tratará de entrar em Portugal.

A operadora, note-se, só dispõe de dez comboios Alfa pendulares, que estão inclusivamente a sofrer as intervenções da meia vida útil, o que obriga a imobilizações prolongadas.

A CP deseja também melhorar a oferta no serviço regional, mas para isso também precisa de novos comboios… a diesel, enquanto a Infraestruturas de Portugal não cumprir com as electrificações previstas.

Desde 2002 que a CP não compra comboios. Os últimos reforços de material circulante foram conseguidos com o aluguer de automotoras a Espanha, as velhas “Camelos”.

Para pagar o investimento, Manuel Queiró conta com os meios libertos pelo aumento da procura, que os novos equipamentos aproveitarão e potenciarão.

 

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Este artigo tem1 comentário

  1. ANTÓNIO MARQUES

    Portugal devia seguir o exemplo da Suíça, que apostou sempre no transporte ferroviário . Possuem na sua rede, linhas geridas por privados e também pela empresa pública. Levam a ferrovia até aos Alpes …