As oficinas da CP em Guifões, Matosinhos, hoje reabertas, têm trabalho para laborar em pleno, com um turno, até 2024, anunciou o presidente da empresa.

A reabertura das oficinas da CP em Guifões vai criar 140 postos de trabalho, 90 dos quais altamente qualificados, até
final de 2021, anunciou Nuno Freitas.

O complexo industrial ferroviário, agora reactivado, vai ser fundamental para a manutenção de material circulante que está ao serviço, para a recuperação de outro que está parado e para a modernização de composições, acrescentou o presidente da CP.

Na cerimónia de reabertura, que contou com a presença do primeiro-ministro e do ministro das Infraestruturas e da Habitação, Nuno Freitas revelou haver já uma “carteira de projectos e intervenções” que esgota a capacidade destas
instalações até 2024 com um turno.

A reactivação das oficinas de Guifões foi anunciada no passado Verão como parte do plano do Governo para recuperar comboios que tinham sido abandonados, até que cheguem, em 2023, os 22 novos.

Até final deste ano, Nuno Freitas garantiu que vão ser recuperadas 13 carruagens Schindler (iguais às que circulam na Suíça), consideradas ideais para o serviço comercial da Linha do Douro. Além destas, serão ainda recuperadas 14 carruagens inox Soreframe, para servirem na Linha do Minho electrificada.

“A entrada em funcionamento destas composições na Linha do Douro e na Linha do Minho vai permitir libertar material circulante para normalizar o serviço comercial regional da CP [Oeste, Alentejo e Algarve]”, sublinhou.

O presidente da CP adiantou que esta oficina vai também fazer a revisão geral de 34 unidades múltiplas eléctricas.

Nestas instalações, e também até final de 2020, vão ser feitos protótipos de modernização de uma carruagem Sorefame e de uma UDD 450 e de adaptação/construção de um reboque piloto para o ‘push-pull’.

Estas vão ainda receber o centro de competências da ferrovia, um projecto que visa unir os sectores públicos e privados e a academia para criar capacidade industrial ferroviária, frisou.

Entre outros projectos, Nuno Freitas anunciou a intenção de fundar um centro de formação profissional, uma incubadora de empresas orientadas para a ferrovia e um centro tecnológico com laboratórios colaborativos.

Já no seu discurso, o primeiro-ministro, António Costa, disse ter o “sonho” de ver Portugal entrar para o “clube dos produtores de comboios”, tal como já integra o “clube produtor de automóveis”.

O ministro das Infraestruturas e da Habitação, por seu turno, frisou que Portugal “não se podia dar ao luxo” de desperdiçar os recursos e material circulante que tem “encostado pelo país”.

Pedro Nuno Santos vincou que o Governo está a investir na recuperação de material circulante, mas não desiste de
comprar novos comboios. “Sabemos que as necessidades hoje são muitas e que no futuro serão maiores, por
isso, não desistimos de fazer a contratação de comboios novos”, disse.

“Faremos essa luta para conseguirmos contratar a aquisição de mais comboios novos, não só para acompanhar o aumento da procura de hoje, mas aumentar o investimento que ao nível da infra-estrutura ferroviária estamos a fazer”, afirmou.

 

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  1. Isto é areia para os olhos. Depois de deixarem a Sorefame morrer, queremos entrar no “clube dos produtores de comboios”, quando tínhamos antes! Meu Deus…santa propaganda!