Apesar dos desmentidos e das dúvidas, crescem os rumores sobre uma possível compra da Hyundai Mercant Marine (HMM) pela Maersk Line. Um negócio que, a acontecer, terá o “dedo” político de Seul.

HMM

Essa possibilidade é, aliás, aventada pela consultora Drewry, na sua última newsletter. “O governo sul-coreano, preocupado com as dificuldades dos sectores do transporte marítimo e dos estaleiros navais, pode ter apelado às companhias da 2M [aliança composta pela Maersk Line e pela MSC] para socorrerem a HMM para retribuírem favores”, indica o documento.

A Drewry salienta, porém, que a HMM não acrescentaria mais “do que um pouco de escala” à aliança 2M. A consultora indica, de resto, que a 2M “já tem uma rede extensa na Coreia”.

Em todo o caso, em declarações à “Reuters”, Jakob Stausholm, membro da administração da Maersk Line, não fecha a porta a aquisições. “Estamos a defender a nossa posição de liderança. Se somos fortes, não há razão para não crescermos”, disse.

“Se olhar para a história da Maersk Line, verá que alcançámos a nossa posição de liderança através da combinação de crescimento orgânico e aquisições. Se a oportunidade certa aparecer, analisá-la-emos”, acrescentou Stausholm.

A “Reuters” lembra que a Maersk Line já não faz uma grande aquisição há uma década e pode, então, estar aberta a oportunidades, apesar de os críticos avisarem para os riscos de aumentar o número de navios sem assegurar clientes.

Governo nega, credores “pedem” aquisição

O Governo sul-coreano nega, porém, que pretenda vender a HMM, mas apenas a inclusão da companhia na aliança 2M.

“É infundado”, garante o ministro do Mar e da Pesca, Kim Young-suk. “O governo não teria lutado tanto pela reestruturação se quisesse vender a HMM no estrangeiro. Acredito que a Maersk e a MSC esperam que a HMM tenha um papel a desempenhar na estrutura da aliança 2M na rota Ásia-América”, afirma Kim Young-suk.

Quem vê com bons olhos uma compra são os credores da companhia coreana. “Seria um enorme estímulo para o reembolso da dívida da HMM se a Maersk pretendesse adquiri-la”, disse um representante de um credor ao “The Korea Times”.

Recorde-se que, além de HHM, a Hanjin e os estaleiros Daewoo Shipbuilding & Marine Engineering (DSME), Hyundai Heavy Industries (HHI) e Samsung Heavy Industries (SHI) estão a atravessar pesados processos de reestruturação financeira.

A HMM começou por ser dada como certa na nova THE Alliance, assim resolvesse os seus problemas financeiros, mas há poucos dias o mercado foi surpreendido com o anúncio de negociações com as companhias-membros da 2M sobre uma possível adesão à aliança Maersk-MSC.

 

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