A demissão do Governo deverá inviabilizar boa parte das medidas acordadas entre o Executivo e as associações de transportadores rodoviários de mercadorias, reconheceu ao TRANSPORTES & NEGÓCIOS o presidente da ATTIMA.

Termina depois de amanhã o prazo para a constituição dos grupos de trabalho que deverão (deveriam) propor uma legislação laboral específica e um novo enquadramento do sector do transporte rodoviário de mercadorias. Mas Pedro Morais, presidente da ATTIMA, não alimenta esperanças: “mesmo que os grupos desenvolvam o seu trabalho, corremos o risco de não conseguir alterar nem publicar qualquer legislação para melhor regulamentar o sector”, afirmou ao TRANSPORTES & NEGÓCIOS.

Restará “aguardar com paciência pelo próximo Governo para voltarmos a apresentar as nossas prioridades”. Com eleições no horizonte, “já sentimos proximidade de vários partidos, a tentarem perceber quais as dificuldades do sector”, acrescentou.

No acordo firmado a 15 de Março entre o Governo, a Antram, a ANTP e a ATTIMA previa-se que várias medidas fossem implementadas num horizonte de 15 dias. O prazo está a expirar e nada aconteceu. Pedro Morais espera “para breve a publicação do despacho sobre a lei 27/2010 (regime contra ordenacional laboral)”.

Face à demissão do Governo, o líder da ATTIMA considera “inglório” o esforço dos transportadores que fizeram a paralisação do início de Março. “O que irá acontecer certamente é que esta crise politica irá sem duvida atrasar o desenvolvimento das matérias em cima da mesa, bem como atrasar a apresentação de outras que ficaram pelo caminho”, lamenta.

Ainda assim, a ATTIMA mantém-se disponível para continuar a trabalhar com o Governo. “Trata-se de uma questão de credibilidade da instituição. Não seria sério abandonar, deixando cair por terra todo o trabalho que temos desenvolvido até aqui”, garante.

 

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