Portugal “arrisca perder a oportunidade” de um investimento superior a 10 milhões de euros num novo terminal da DHL no aeroporto de Lisboa se se mantiver o impasse negocial que dura há anos, avisa o director de operações da DHL Express.

DHL em Lisboa

“Estamos a negociar com a ANA há já dois ou três anos para tentar arranjar uma parcela decente de terreno. As negociações parecem sempre estar perto do fim, mas o facto é que nunca lá chegam”, afirmou o Roy Hughes, em entrevista à “Lusa”.

Falando à margem de um encontro com jornalistas em Amesterdão, para apresentar as mais recentes soluções amigas do ambiente que têm vindo a ser implementadas pela gigante da logística, Roy Hughes considerou que Portugal está “a perder uma oportunidade”, porque a DHL está “a construir o resto da sua rede e há muitas antigas colónias portuguesas que podia ligar a partir de Lisboa”.

Revelando ter precisamente destacado esse potencial de aproximação a África “há já dois anos”, em reunião com “os responsáveis locais, incluindo o ministro dos Transportes”, o director de operações da DHL Express avisa: “a minha outra opção é voar a partir de Marselha, cujo terminal terminámos há um ano”.

Segundo Roy Hughes, existe “um problema de rapidez e vontade por parte das autoridades portuguesas para apresentarem uma proposta credível, quer a nível da localização do terreno para o novo terminal, quer da sua dimensão e, o que é muito importante, o preço por metro quadrado”.

É que, disse, se num primeiro momento o terreno sugerido “não era satisfatório”, o segundo espaço proposto pela ANA “é melhor”, mas o preço exigido por metro quadrado “é irrealista”. “Pagar o mesmo valor ou mais por metro quadrado do que em Madrid é altamente questionável. E se é um facto que Lisboa é importante para nós, tem que nos ser apresentado um preço razoável”, afirmou Roy Hughes.

É que, garante, se há “quem pense que uma grande empresa como a DHL está disposta a pagar qualquer preço”, o facto é que “não é assim”: “somos empresários como os outros, sabemos quais são os valores de mercado e o que devemos pagar, mas tal como não nos aproveitamos de situações por vezes difíceis vividas nos países, também não queremos que se aproveitem de nós”, sustentou.

Garantindo que a DHL está “muito interessada e comprometida em investir em Portugal e em Lisboa”, Hughes afirmou, contudo, que “só o fará por valores justos. E alertou: “Não vamos esperar indefinidamente, eventualmente teremos que chegar a uma situação de compromisso, o que seria uma pena para Portugal”.

Se no aeroporto de Lisboa a DHL ocupa actualmente instalações partilhadas com outros operadores, no Porto o grupo construiu um terminal próprio há cerca de três anos, num processo que, disse o responsável, “por comparação, foi fantástico”: “Pagámos o preço de mercado – mesmo estando o país numa situação económica muito difícil, não quisemos tirar partido disso – investimos uns bons [cinco] milhões [de euros] e temos agora instalações ‘state of the art’ no Porto”, afirmou.

Já em Lisboa “há muitas negociações, mas conseguir que alguém tome uma decisão e apresente uma solução credível tem sido muito difícil”. “Não quero ser muito negativo em relação a Portugal, mas a tomada de decisões por parte do Governo é lenta. Negociámos, assinámos contratos e estamos a construir terminais em locais como a Bulgária ou a Polónia, em ambos os casos mais rapidamente. Temos dois investimentos feitos na Roménia que demoraram menos tempo e seria de esperar que Portugal fosse, comparativamente, um país mais evoluído a nesse nível”, afirmou.

 

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