No ano passado, a Refer, o Metropolitano de Lisboa e a Metro do Porto pagaram, só de juros por conta dos seus enormes passivos, 595,7 milhões de euros, avança o Tribunal de Contas.

Um pesado encargo que representa mais de metade – 51,6% para ser exacto – das despesas por aquelas empresas públicas, as únicas do sector dos transportes incluídas no perímetro da dívida pública (enquanto Entidades Públicas Reclassificadas, EPR).

A Refer foi a empresa que pagou a maior factura de juros e outros encargos da dívida, num total de 238,5 milhões de euros. O Metropolitano de Lisboa pagou 237,1 milhões e a Mestro do Porto 120,2 milhões.

Considerando o peso dos juros nas despesas, o Metropolitano de Lisboa é o mais castigado, com um peso de 65,2%, seguindo-se-lhe a Refer, com 45,5%, e a Metro do Porto, com 45,2%.

Assim sendo, resta pouco dinheiro para fazer face aos demais encargos, e menos ainda para investir, se for o caso. As despesas com pessoal, por exemplo, foram no ano passado de 76,7 milhões de euros na Refer, de 68,1 milhões no Metropolitano de Lisboa e de 4,1 milhões na Metro do Porto (a operação está subconcessionada).

A aquisição de bens e serviços totalizou 94,5 milhões de euros na Refer, 40,1 milhões no Metro da capital e 79,5 milhões no da Invicta.

Dos 595,7 milhões de euros pagos em juros da dívida pelas três empresas, cerca de 135 milhões destinaram-se ao Estado e o restante à banca.

Os dados constam do relatório do Tribunal de Contas sobre o “Acompanhamento da execução orçamental da Administração Central”.

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