A eventual compra da Neptune Orient Lines (NOL) pela Maersk Line ou pela CMA CGM só poderá justificar-se pela oportunidade e não pela lógica, de acordo com a consultora Drewry.

NOL

“Num mundo racional, nem a AP Moller-Maersk nem a CMA CGM colocariam o seu balanço em risco para comprarem a NOL” numa altura em que o sector atravessa sérias dificuldades, refere a Drewry.

A unidade de negócios do transporte marítimo de contentes (APL) da NOL acumulou perdas operacionais de 1,1mil milhões de dólares nos últimos cinco anos, lembra. E, por outro lado, a Temasek Holdings, fundo estatal de Singapura, que controla a companhia, não estará pressionada a vender a companhia por um preço baixo.

Para a Drewry, os 90 navios (56 próprios) que constituem a frota da NOL não serão o principal motivo de interesse da Maersk e da CMA CGM. Antes poderão ser bem mais interessantes os nove terminais que a NOL tem na Ásia, nos EUA e na Europa. Não tanto porque precisem desesperadamente deles, mas “por razões de crescimento não-orgânico e, presumivelmente, porque são activos lucrativos”, refere a nota da consultora.

Do lado da Temasek, acrescenta, a pressão para vender poderá vir do facto de a cotação da NOL (ainda abaixo do seu valor contabilístico) já incorporar o prémio de uma futura venda. Que a não concretizar-se tenderá a afundar o título.

A Drewry não é a única a levantar dúvidas sobre o negócio da compra/venda da NOL. A Alphaliner também já questionou a viabilidade da operação, nomeadamente considerando as perdas acumuladas pela companhia de Singapura. E agências de notação financeira avisaram a Maersk, na sequência dos fracos resultados do terceiro trimestre, sobre os riscos implícitos neste eventual investimento.

No passado dia 7, a NOL confirmou estar a negociar separadamente com a Maersk e com a CMA CGM a venda da companhia.

 

 

 

Comments are closed.