Este ano, a indústria de transporte marítimo de contentores poderá ficar perto do break-even, mas ainda assim as dificuldades causadas pelo desequilíbrio entre a oferta e a procura poderão prolongar-se até 2014 ou mesmo 2015.

Quem o diz é a Drewry Consultants no seu “Outlook” sobre o sector, agora divulgado. O break-even no final do ano até poderá parecer um bom resultado, mas considerados os aumentos verificados nos fretes vê-se como as perdas de 2011 foram brutais, realçam os analistas.

A propósito dos fretes, a Drewry sublinha o sucesso do aumento geral de tarifas em Março/Abril, mas lembra que actualmente a média dos preços no mercado spot está cerca de 40% dos máximos alcançados em Março para o Ásia-Norte da Europa.

A culpa é da procura. Este ano não houve propriamente uma época alta e a tendência em baixa deverá manter-se pelos próximos 15 meses. A culpa é também do excesso de oferta, apesar do esforço dos operadores para controlarem a entrada no mercado de nova capacidade (o aumento nos primeiros sete meses ficou 5% do realizado no período homólogo de 2011).

Neste contexto, a Drewry antevê difícil o sucesso do novo aumento geral de fretes anunciado para Novembro, a menos que os operadores promovam mais cortes na oferta de capacidade, reduzindo ainda mais a velocidade de navegação ou, pura e simplesmente, retirando navios do mercado.

Além do mais, alertam os analistas, o efeito de cascata provocado pelo início de operação de porta-contentores de maiores dimensões pode generalizar a outros tráfegos os estragos já sentidos no Ásia-Norte da Europa.

Em suma, destaca o responsável pela análise do sector do transporte marítimo de contentores na Drewry, Neil Dekker, os operadores terão de saber conjugar o aumento da oferta (navios cada vez maiores) com a manutenção de um nível de tarifas que lhes garanta a necessária rendibilidade das operações.

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