A consultora Drewry é mais uma voz a criticar as sobretaxas de combustível de emergência anunciadas pelas companhias de transporte marítimo de marítimo.
Preços do combustível 2000-2018. Fonte Drewry.

A consultora sustenta que os transportadores deveriam, antes de implementar aumentos, controlar os custos, e avisa que os pequenos e médios carregadores serão os mais prejudicados.

A consultora concede que, de facto, o aumento do preço do combustível desde o início de 2018 – de cerca de 20% – está a afectar as companhias de navegação.

Mas a Drewry, salienta, porém, que as companhias de navegação não devem alegar problemas económicos para a aplicação de sobretaxas, já que, após 50 anos de actividade, já deveriam ter um sistema para enfrentar o aumento dos custos externos sem ter de transferi-lo para os clientes.

Além disso, os especialistas da Drewry lembran que os mecanismos de ajuste BAF não foram aplicados em função do preço do combustível quando os valores era muito superiores aos de hoje. Defendem que, se assim fosse e as fórmulas já tivessem sido aplicadas, não haveria necessidade de aumentar os preços dos fretes desta forma.

A consultora avisa ainda que as sobretaxas afectam sobretudo os carregadores de pequena e média dimensão, na medida em que os de maior dimensão têm, por norma, cláusulas de excepção nos contratos.

A Drewry avisa, contudo, que, se os preços do bunker continuarem a subir, aproximando-se dos níveis de 2008, as operadoras terão de começar a considerar a eliminação dos privilégios dos grandes clientes.

A combinação de baixos preços médios dos fretes com custos mais altos tem sido muito tóxica para os operadores, muitos das quais declararam prejuízos no primeiro trimestre e esperam resultados ainda piores no segundo.

As três maiores companhias do mundo, Maersk, MSC e CMA CGM, que controlam 45% da frota de navios porta-contentores, já começaram a aplicar sobretaxas e outros operadores seguiram-lhes os passos.

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