O transporte marítimo pode poupar quatro mil milhões de dólares (4,5 mil milhões de euros) por ano se 50% das companhias adoptarem o e-bill of lading (e-BL).

As contas são da Associação do Transporte Marítimo Digital (DCSA, na sigla em inglês). Desde que a tecnologia começou a surgir, no fim dos anos 1990, que a promessa do uso maioritário do e-BL não passou de uma ilusão, não obstante algumas companhias irem apostando na ferramenta, mesmo que de forma pouco estandardizada e em pequena escala.

A pandemia de Covid-19 e a ainda maior necessidade de digitalização, pode, porém, ser o “gatilho” que faltava. “A situação da Covid-19 está a trazer ao de cima os principais pontos fortes de um e-BL padronizado. A carga não pode ser retirada dos portos devido a um papel preso em outro local devido a atrasos no transporte aéreo causados pela pandemia”, indica, citado em comunicado, André Simha, presidente do conselho de supervisão da DCSA e director digital da MSC.

BL em papel é três vezes mais caro

Num esforço para entender completamente os benefícios da digitalização do BL, a DCSA realizou um exercício de modelação financeira para quantificar as potenciais economias da mudança do BL em papel para o e-BL. A complexidade inerente ao uso do BL significa que o custo real do processo para um único BL pode variar bastante. A associação indica que o custo total do processamento do papel é quase três vezes superior aos e-BL.

“A uma taxa de crescimento económico global de 2,4% até 2030, conforme previsto pela OCDE, estimamos que o sector possa poupar mais de quatro mil milhões de dólares por ano se for alcançada uma adopção de 50% do e-BL”, indica a DCSA.

A entidade recorda que a IATA introduziu as cartas de porte electrónicas (e-AWB) para o transporte aéreo em 2010. Actualmente, a adopção do e-AWB é superior a 68%. “Se começarmos a padronizar o e-BL agora, temos motivos para acreditar que uma taxa de adopção de 50% é viável até 2030”, indica a DCSA.

A associação do transporte marítimo já anunciou os próximos passos para cumprir os seus objectivos. Ainda este mês, a DCSA lançará ma iniciativa para permitir a colaboração aberta necessária para alcançar a adopção completa do e-BL. “Como parte dessa iniciativa, a DCSA desenvolverá padrões de código aberto para os termos e condições legais necessários, bem como definições e terminologia para facilitar a comunicação entre clientes, companhias de transporte de contentores, reguladores, instituições financeiras e outras partes interessadas do sector”, salienta a organização.

A DCSA junta nove das principais companhias de transporte marítimo de contentores do mundo: Maersk, MSC, CMA CGM, Hapag-Lloyd, ONE, Evergreen, Yang Ming, HMM e Zim.

 

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