O Estado arrisca-se a pagar 300 milhões de indemnizações pelo cancelamento da Alta Velocidade, quando modernizar a linha Porto-Vigo custaria no máximo 180 milhões, e desses Lisboa apenas pagaria 27 milhões, defende a associação Eixo Atlântico.

“Enquanto que a indemnização [pelo cancelamento do TGV] às empresas rondará os 300 milhões de euros, que deverão ser pagos inteiramente pelo Governo português, a modernização da Linha do Minho custa no máximo 180 milhões de euros, menos de metade, dos quais o Governo português só deverá contribuir com 27 milhões”, afirma o Eixo, em comunicado.

“Por outras palavras, os impostos dos portugueses vão pagar 300 milhões de euros em troca de nada e como consequência de decisões políticas erróneas”, diz ainda o Eixo Atlântico, que reúne as 34 maiores cidades da Galiza e do Norte de Portugal.

“Pelo contrário, modernizar a Linha do Minho entre Nine e Valença [numa distância de cerca de 100 quilómetros], servindo uma área funcional de dois milhões de pessoas e reactivando uma economia muito fragilizada, tanto pela crise como pelos erros históricos dos sucessivos governos – sistema de pagamento de portagens – custaria aos cofres portugueses menos da décima parte do que, insistimos, vão pagar para tapar um erro político e administrativo”, acrescenta o comunicado.

Numa reunião realizada em Viana do Castelo, em Setembro de 2011, políticos, autarcas, empresários e utentes do Norte e da Galiza aprovaram uma declaração conjunta, enviada aos ministros das Obras Públicas de Portugal e de Espanha, solicitando este investimento “prioritário” na linha ferroviária entre o Porto e Vigo.

No documento, os promotores assinalavam que a modernização da linha é “uma pretensão das comunidades do Norte de Portugal e da Galiza”, sendo “técnica e financeiramente e viável” e que pode ser executada “até final deste Quadro Comunitário de Apoio”.

O objectivo passaria por, segundo um estudo realizado sobre as formas de modernização daquela linha, permitir uma viagem entre o Porto e Vigo em 75 minutos, para as viagens directas, apenas com paragens em Barcelos, Viana do Castelo e Valença.

A redução dos tempos de viagem, actualmente de cerca de três horas, seria conseguida através da electrificação e sinalização da linha e com a introdução de novo material circulante.

Agora, “revalidamos a nossa petição remetida anteriormente aos dois governos para que a próxima Cimeira Ibérica aprove a ligação Porto-Vigo, através da modernização da linha existente, e não se cometa de novo outro erro histórico e que uma vez mais tenham de ser os portugueses a pagar com os seus impostos ou com a rotura das suas empresas”, remata o comunicado do Eixo Atlântico, actualmente liderado pelo autarca de Viana do Castelo, José Maria Costa.

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