A EMEF poderá vir a participar na criação de uma fábrica de locomotivas e vagões em Moçambique, para servir os mercados local e regional. Um primeiro acordo nesse sentido poderá ser assinado no decurso da visita que o António Mendonça está fazer àquele país.

A novidade foi avançada aos media locais pelo ministro dos Transportes e Comunicações moçambicano.

Paulo Zucula lembrou a propósito que o país precisará de pelo menos 600 vagões nos próximos cinco anos, só para escoar a produção do carvão da região de Moatize para o porto da Beira.

A Riversdale, uma das companhias mineiras que está a explorar o carvão da província de Tete, ainda há dias anunciou um investimento de 36,5 milhões de euros na compra de 11 locomotivas e 200 vagões.

A oportunidade de negócio para os moçambicanos – e para os portugueses – poderá ainda ganhar mais acuidade caso se confirme, como tudo indica, a denúncia do contrato de concessão da linha do Sena com as duas companhias indianas encarregues da sua reabilitação. A exploração do serviço passará assim para os Caminhos de Ferro de Moçambique.

A EMEF detém o know-how de fabrico de vagões e também tem experiência na montagem e manutenção de locomotivas, pelo que seria um parceiro benvindo para as autoridades moçambicanas. Para a parte portuguesa, a concretização deste negócio representaria também uma mais-valia, uma vez que no mercado nacional os negócios não abundam (para mais agora, que a CP contratou com a Renfe o aluguer e manutenção de material circulante e não há perspectivas de novas compras).

No final de um encontro com o ministro António Mendonça, Paulo Zucula lembrou também que países como o Botswana, Zimbabué e Suazilândia vão precisar de mais vagões nos próximos anos e acrescentou que “esta é uma oportunidade de negócio que se abre na região, porque, neste momento, só a África do Sul tem capacidade para montar este tipo de material”, disse.

Na missão empresarial portuguesa que está em Moçambique, o sector ferroviário nacional está representado por um administrador da EMEF, e por Pires da Fonseca, administrador da Takargo, do grupo Mota-Engil, que poderá também envolver-se no projecto.

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