As contas das emissões globais do transporte marítimo são confusas, avisa a Alphaliner, com os dados de consultoras e organismos internacionais a serem muito diferentes entre si.

Uma das questões, lembra a consultora, é que umas entidades defendem que apenas se devem considerar os navios que fazem transporte internacional e outras que se devem contabilizar todos.

A Clarksons, por exemplo, só quantifica os navios do transporte internacional e aponta para 818 milhões de toneladas de CO2 emitidas pela frota mundial em 2019, menos 1,1% face a 2018 e uma descida de 19,2% numa década.

Já a Agência Internacional da Energia (AIE), tal como a IMO, contabiliza todos os navios e calcula 1 135 milhões de toneladas de CO2 emitidas no ano passado. Os números da AIE apenas para a frota que faz operações internacionais são de 647 milhões de toneladas de CO2 (inferiores às da Clarksons, portanto).

Além dos números diferentes, a Alphaliner diz ter dificuldades em crer que as emissões do sector tenham sequer baixado, dado que em outros sectores esse objectivo de redução não foi logrado, e muito menos num cenário de crescimento da frota.

Medir as emissões em cada navio

A Alphaliner questiona também como são obtidos os dados, se não há um dispositivo de medição instalado em cada embarcação. Os métodos mais avançados incluem um sistema de identificação automática para calcular a velocidade de cada navio e a classificação das informações de acordo com o tipo de embarcação para obter a quantidade anual de emissões. Todos os números individuais são somados para obter dados de emissões globais da frota.

Para a consultora, esse método tem muitos defeitos e pode falhar no cálculo quando as condições climatéricas são adversas. Por exemplo, pode ser considerado válido que um navio esteja a navegar a uma velocidade de oito nós durante um determinado período, o que significaria um baixo consumo de combustível, quando na realidade, se precisar de lidar com correntes e ventos fortes, estará a consumir o dobro daquele valor.

A Alphaliner acrescenta ser curioso que esse seja o sistema utilizado “quando uma simples multiplicação por três da quantidade de combustível vendida resultaria num número muito mais realista e fiável”, considerando que uma tonelada de óleo combustível pesado produz aproximadamente três toneladas de CO2 durante a sua combustão.

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