“Algo está errado na gestão do sistema de transportes desde há 40 anos”, reconheceu, e criticou, o secretário de Estado dos Transportes.

Carlos Correia da Fonseca, que falava em Lisboa na abertura de um seminário dedicado ao transporte ferroviário, sublinhou o facto de as empresas públicas de transportes terem uma dívida acumulada a rondar os dez mil milhões de euros, o que é “uma preocupação muito séria” para a tutela.

O secretário de Estado avançou, em alternativa, que as receitas das operações “têm de cobrir os custos, o que significa que os operadores de transporte não deverão endividar-se”. Mas não elaborou sobre como tal será possível, tendo em conta o tarifário social praticado pelas empresas.

Referindo-se em concreto ao modo ferroviário, Correia da Fonseca defendeu tratar-se do transporte “mais eficiente, desde que tenha passageiros”. E deu como exemplos negativos a Linha de Leixões, que terá “em média três passageiros por circulação”, e a Linha do Leste, onde “cada passageiro custa 120 a 130 euros”.

O secretário de Estado defendeu, por isso, não ser possível levar o comboio ou o metro a todo o lado, mesmo onde não haja passageiros, sob pena de estar-se a “desperdiçar dinheiro dos contribuintes”. E criticou o “vício terrível” das autarquias em aproveitarem as obras ferroviárias para fazerem a requalificação urbana à custa das empresas de transportes. “A requalificação urbana é uma responsabilidade das autarquias”, disse.

Os comentários estão encerrados.