O futuro dono dos ENVC ficará com encomendas que garantem a laboração em pleno dos estaleiros até 2014. Os trabalhadores contestam, por isso, a reprivatização. E o PS defende uma solução do tipo da OGMA.

OS ENVC e a Petróleos da Venezuela chegaram a acordo sobre a renegociação do contrato para o fornecimento de dois navios asfalteiros. O acordo confirma a encomenda, recalendariza os prazos e afasta o risco de a empresa Venezuela denunciar o contrato por incumprimento da parte portuguesa.

A empresa já recebeu da Venezuela, até Junho de 2011, cerca de 10% do valor do negócio, que ascende a cerca de 128 milhões de euros, mas a verba foi utilizada noutras obrigações “que não as do contrato”.

O novo acordo com a Venezuela, sublinha a administração dos estaleiros, representa ainda um “dado decisivo para o futuro e para o processo de reprivatização da empresa” por “acrescentar um volume significativo à carteira de encomendas em curso” e de “diversas reparações já contratadas”.

“Com esta carteira, os ENVC empregam o pleno do seu actual quadro de pessoal, o que é motivo de grande satisfação para a administração”, acrescentou a fonte citada pela “Lusa”.

Além da construção destes dois navios asfalteiros, cuja entrega está agora prevista para Março e Novembro de 2014, a carteira de encomendas dos ENVC contempla também a retoma da conclusão do navio-patrulha NRP Figueira da Foz e os acertos finais no primeiro destes navios para a Marinha, o NRP Viana do Castelo.

O sucesso alcançado nas negociações com a Venezuela é mais um motivo para a Comissão de Trabalhadores contestar o processo de reprivatização em curso. No entender aquele estrutura, os estaleiros são viáveis e têm futuro, não se justificando entregá-los a privados, e logo por um preço muito abaixo do seu real valor.

Também o PS contesta a reprivatização total dos ENVC. Ao invés, defende a aplicação do modelo seguido nas OGMA, onde o Estado mantém uma participação. “Sempre esteve previsto, e isso é visível nos primeiros documentos de privatização dos ENVC, que o Estado mantivesse uma participação significativa na empresa, porque o que é importante não é vender ao desbarato ao património”, defendeu à “Lusa” o deputado Marcos Perestrello, ex-secretário de Estado da Defesa, após uma visita à empresa aeronáutica.

Os quatro candidatos seleccionados têm até ao próximo dia 12 para apresentarem as propostas vinculativas de compra dos ENVC.

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