Os custos do cumprimento das novas regras de emissões de enxofre poderão empurrar as companhias mais frágeis para uma nova onda de concentração, antecipa a Drewry.

Em causa estão os custos inerentes ao cumprimento do limite de 0,5% de teor de enxofre que a IMO imporá a partir de 1 de Janeiro de 2020, e que se calcula atinjam os milhares de milhões de dólares (combustíveis mais caros, aquisição e instalação de scrubbers, renovação de frotas, etc.). Uma factura que poderá revelar-se pesada de mais para algumas companhias.

A Drewry lembra a propósito que em 2018 a indústria  do transporte marítimo de contentores terá obtido lucros de apenas 1,5 mil milhões de dólares, e isso à custa de um último trimestre muito forte. E as incertezas permanecem.

A última vaga de consolidações arrancou em 2016, com a fusão de COSCO e CSCL, e concluiu-se em 2018, com a integração das japonesas NYK, MOL e K Line na ONE. Estes movimentos levaram a que as sete maiores companhias de navegação do mundo controlem cerca de três quartos da frota mundial de navios porta-contentores.

Embora a existência de fusões e aquisições entre os sete principais operadores do sector seja remota, dado que os reguladores da Concorrência rejeitariam, provavelmente, as propostas, a Drewry não deixa de antever algumas possibilidades.

Recorde-se que já se aventou uma possível fusão entre a CMA-CGM e a Hapag-Lloyd, dado o interesse demonstrado pelos franceses em 2018. Outras hipóteses já levantadas foram a compra da PIL pela Cosco, ou acordos em função do país de origem, como uma fusão entre as companhias de Taiwan Evergreen, Yang Ming e Wan Hai, ou entre as sul-coreanas HMM e SM.

Ainda assim, mesmo que aconteçam fusões e aquisições, a Drewry antecipa que o número de players no mercado continuará a ser suficiente para evitar uma concentração do mercado demasiado elevada.

 

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