Dentro de cinco anos, Espanha terá falta de 45 mil  motoristas. Cartas de condução caras, idade mínima de 21 anos e baixos salários explicam a escassez.

Irão faltar em Espanha 45 mil motoristas no prazo de cinco anos, de acordo com um estudo realizado por Jorge Pena Izquierdo, professor de economia na instituição francesa Institute de l’Enterprise. O investigador recebeu um prémio da Fondation Corell, dedicada à mobilidade, meio ambiente e segurança. As razões para tal não se circunscrevem ao mercado do país vizinho.

Jorge Pena Izquierdo aponta várias razões para esse cenário de falta de mão-de-obra. Uma é o elevado custo das cartas de pesados, que no país vizinho é superior a cinco mil euros. O que é uma “barreira significativa à entrada”, sublinha o estudo.

Além disso, os 21 anos de idade mínima para pode obter a licença de condução de pesados é um obstáculo adicional. “A combinação dessas duas barreiras impede a atracção de perfis jovens motivados pela profissão”, escreve o autor.

A estes factores soma-se, segundo a análise coordenada por Jorge Pena Izquierdo, a perda de atractividade da profissão. Desde logo pela a estagnação remuneratória. Os salários reais aumentaram apenas 1,5% desde 2007 no transporte rodoviário espanhol.

Esse fenómeno encontra explicação, de acordo com o autor, na atomização do sector (mais de 80% das companhias têm menos de 25 colaboradores), no declínio da produtividade desde 2012, nas baixas margens da companhias e no “fraco poder negociação com os carregadores, o que tem consequências importantes para as condições de trabalho”.

Outro fenómeno específico de Espanha para justifica a falta de motoristas é a multiplicidade de acordos colectivos, uma vez que essas convenções são concluídas a nível das províncias.

 

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