O corte no investimento público e as dificuldades em montar Parcerias Público-Privados (PPP) estão a obrigar o governo espanhol a deixar cair algumas das linhas de Alta Velocidade prometidas.

Ao cabo de dez anos de fortes investimentos na rede ferroviária de Alta Velocidade (uma aposta dos governos de José Maria Aznar e de José Luis Zapatero), Espanha está obrigada a abrandar o ritmo e mesmo a abandonar alguns projectos de retorno duvidoso.

Ontem mesmo o ministro do Fomento, José Blanco, referiu a ligação Palência – Cantábria como um exemplo de um projecto “muito difícil de realizar no actual contexto económico”. Ou seja, a ligação a Santander em Alta Velocidade terá de esperar por melhores dias.

No imediato, a solução alternativa poderá passar pela utilização dos Talgos híbridos, preparados especialmente pela Renfe para circularem indistintamente em vias electrificadas ou a diesel, em bitola europeia ou bitola ibéria. Os primeiros desses veículos estão já em testes reais na Galiza. Aliás, a própria reconversão dos Talgo é também uma prova mais do abrandamento do ritmo de investimento de Espanha em Alta Velocidade.

Certo é que são cada vez mais as vozes a defenderem a reprogramação dos investimentos na Alta Velocidade no país vizinho. Algumas obras no terreno terão de ser suspensas, dizem. Outras, ainda em fase de licitação, poderão não avançar. E outras ainda, já concluídas ou quase, terão de ser optimizadas porque foram mal concebidas, acrescentam os críticos.

Além do mais, são também muitos os que duvidam hoje dos anunciados benefícios da rede de Alta Velocidade para o desenvolvimento harmonioso das diferentes regiões de Espanha. Pelo contrário, fala-se na atracção das empresas das pequenas cidades para as grandes urbes, o que contraria a ideia de maior coesão territorial.

A ideia de colocar todas as capitais de província espanholas a menos de 50 quilómetros de uma estação da AV foi prometida por um governo do PP e alimentada pelo governo do PSOE. Agora, tudo o indica, será de novo o PP a ter de “mudar de agulha” após as Legislativas de Novembro próximo.

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