A possibilidade de cobrar portagens “simbólicas” nas auto-estradas gratuitas espanholas é rejeitada pelos transportadores e aplaudida pelas construtoras.

O governo espanhol, que anunciou ir tornar gratuitas auto-estradas portajadas à medida que acabam as respectivas concessões, está a estudar um modelo para a garantir a sustentabilidade da gestão da rede rodoviária. A reintrodução de portagens é uma das possibilidades.

O Ministério do Fomento espanhol salienta, contudo, que não só a decisão não está tomada como, a acontecer, o custo para o utilizador será “simbólico”, cerca de 10% do valor pago nas auto-estradas onde são cobradas portagens “normais”.

“O pagamento seria mais uniforme em todo o território e não acontecerá como agora, em que alguns territórios têm de suportar muitas portagens e outros praticamente nada”, disseram fontes ministeriais.

O presidente da Confederação Espanhola de Transporte de Mercadorias (CETM), Ovidio de la Roza, rejeitou, porém, a possibilidade de portagens “porque este sector não pode ser carregado com mais impostos”. De la Roza realçou que o transporte de mercadorias contribui anualmente com 11 mil milhões de euros para os cofres estatais do país vizinho.

O dirigente alertou ainda para o impacto de uma medida como esta para a competitividade do país, já que tornaria mais caro o transporte de mercadorias para o Centro e Norte da Europa.

Custos anuais de 1 100 milhões

Julián Núñez, presidente da Seopan, associação que representa as empresas construtoras e concessionárias, por seu turno, descreve a medida governamental como “benéfica”, tanto para a economia espanhola como para a sociedade como um todo.

Em declarações à rádio “Cadena Ser”, Núñez alinhou pela posição do governo espanhol de que as portagens nas auto-estradas presentemente grátis reduziriam “ineficiências” e desigualdades entre territórios, bem como entre contribuintes. E lembrou que o uso de estradas de alta capacidade é pago praticamente toda a Europa.

O ministro do Fomento, José Luis Ábalos, já garantiu, na última legislatura, no Congresso dos Deputados, que buscaria um consenso político para estabelecer uma fórmula que possa garantir financeiramente a manutenção das vias rodoviárias, que tem um custo anual para o Estado espanhol de 1 100 milhões de euros.

O governo de Madrid já aboliu as portagens da AP-1 (Burgos-Armiñón), cuja concessão da Itínere terminou a 30 de Novembro de 2018. Seguem-se os troços da AP-7 (entre Alicante e Tarragona) e da AP-4 (entre Sevilha e Cádis), que terminarão os contratos de exploração a 31 de Dezembro deste ano.

O mesmo caminho poderão seguir, em 2021, o troço da AP-7 que liga Barcelona com La Junquera e Tarragona e o da AP-2 Saragoça-Mediterrâneo. No total, são mais de mil quilómetros aos quais há a somar as oito auto-estradas falidas quebradas (entre estas as radiais de Madrid) que tiveram que ser resgatadas pelo Estado após a sua falência e que totalizam outros 500 quilómetros.

 

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