Em plena campanha para as Eleições Legislativas, de que há-de resultar a formação do próximo Governo, o TRANSPORTES & NEGÓCIOS inquiriu dirigentes de algumas das mais significativas associações sectoriais sobre o que esperam da governação do País nos próximos quatro anos. Hoje é a vez do presidente da Apat.

Paulo Paiva

Depois do presidente da Adfersit, Mário Lopes, do presidente do Conselho Português de Carregadores, Pedro Viegas Galvão, do presidente da Antram, Gustavo Paulo Duarte, e do presidente da Agepor, Rui d’ Orey, hoje é a vez do presidente da Apat, Paulo Paiva, avançar algumas das expectativas, reclamações e sugestões dos agentes transitários para os próximos quatro anos.

Note-se que a publicação dos depoimentos tem como único critério a ordem por que vão sendo recebidos.

 

PAULO PAIVA – Presidente da Apat

A insuficiência de investimentos nas infraestruturas ligadas ao comércio internacional: infraestruturas aeroportuárias, portuárias e ferroviárias, é um dos maiores constrangimentos / desafios com que nos deparamos, e ao qual o próximo Governo, seja ele qual for, terá de continuar a dar resposta. Isto, não obstante a existência de um relatório (mais um) elaborado pelo Grupo de Trabalho das Infra Estruturas de Valor Acrescentado (GTIEVA), que enumera alguns eixos prioritários de investimento.

A falta de consciencialização coletiva para a importância do comércio internacional, e para a importância estratégica de Portugal acompanhar os outros países europeus em termos de facilitação do comércio, e para que os seus portos, aeroportos e plataformas logísticas não sejam preteridos por outros, é também um dos constrangimentos do setor que é importante reverter. Refiro-me, por exemplo, a medidas ao nível aduaneiro e fiscal que permitam às empresas terem acesso em Portugal a condições idênticas às que encontram em Roterdão ou Algeciras. Trata-se apenas de um exemplo de boas práticas que temos a obrigação de perceber se podem ser replicadas em Portugal.

Para sermos competitivos é necessário que entidades privadas e públicas caminhem para o mesmo objetivo: a competitividade de Portugal no comércio internacional a nível mundial. É inquestionável que o trabalho desenvolvido entre os transitários, enquanto parceiros da cadeia logística, e os importadores e exportadores do nosso país, tem permitido impulsionar a economia portuguesa, principalmente ao nível das exportações, assim como é inquestionável que a intervenção dos transitários no fluxo de trocas internacionais torna o comércio internacional mais fácil, mais rápido e sem dúvida mais eficiente.

No futuro, aquilo que para a APAT é e sempre foi uma evidência, será uma verdade incontornável, quando todos – empresas e particulares – estiverem conscientes da enorme mais-valia que no comércio internacional é o pensamento integrado dos modos de transporte que faz parte do nosso ADN transitário.

As entidades públicas, e em concreto o Governo que vier a ser eleito, têm de fazer um esforço, direcionar as suas energias para uma maior dinamização das exportações portuguesas, mas também para colocar Portugal no centro do panorama de logística internacional.

Os estudos estão feitos, e refeitos, agora é preciso passar à ação. Não podemos continuar a encomendar mais estudos e ficar parados, rejeitando e ignorando aqueles que já foram concluídos e apresentados.

Uma coisa é certa: o Governo, seja ele qual for, a tutela da atividade transitária e as demais entidades públicas, diretamente relacionadas com o transporte e comércio internacional, podem contar com a APAT para tudo o que permita desbloquear os constrangimentos da cadeia de abastecimento e a facilitação do comércio internacional em Portugal.

 

» Pedro Viegas Galvão – Presidente do CPC

 

» Mário Lopes – Presidente da Adfersit

 

» Gustavo Paulo Duarte – Presidente da Antram

 

» Rui d’ Orey – Presidente da Agepor

 

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