O Estado dispõe-se a prolongar por alguns anos mais a concessão do terminal de contentores de Leixões à TCL mas exige como contrapartidas o investimento na expansão do terminal e a redução dos preços praticados, apurou o TRANSPORTES & NEGÓCIOS.

A proposta inicial apresentada pela comissão encarregada de renegociar a concessão contemplará um prolongamento máximo de cinco anos do contrato, dos actuais 25 para 30 anos, conquanto a TCL assuma todos os custos inerentes à ampliação do terminal de contentores Sul e, também, se comprometa a reduzir os preços médios praticados.

Ao TRASPORTES & NEGÓCIOS, Lopo Feijó, administrador da empresa concessionária, escusou-se a confirmar os termos da proposta estatal, mas adiantou que ela existe, que está a ser analisada, e que será feita uma contraproposta, sem que haja um prazo limite para a apresentar.

A expansão do terminal de contentores Sul de é considerada imprescindível para que Leixões e a TCL possam continuar a crescer e a servir a região. O recorde de 650 mil TEU atingido este ano “só é possível” porque a concessionária há muito utiliza, com o acordo da APDL, o terminal multiusos e o espaço que foi da antiga portaria para o parqueamento e movimento de contentores. Uma “solução provisória que tem custos acrescidos e que penaliza a eficiência”, como sublinhou Lopo Feijó, em declarações exclusivas ao TRANSPORTES & NEGÓCIOS.

O investimento previsto na expansão do terminal de contentores de Leixões deverá superar os 50 milhões de euros. O plano prevê obras de infra-estrutura (à partida da responsabilidade da APDL), o redesenho do layout e a instalação de mais pórticos de parque no terminal Sul. Mas deverá passar também por novos pórticos de cais e de parque no terminal Norte, apurou o TRANSPORTES & NEGÓCIOS.

No breve discurso que proferiu na cerimónia que assinalou os 650 mil TEU, Lopo Feijó criticou a falta de decisões políticas sobre o futuro do terminal de contentores de Leixões e alertou para os perigos – para o porto e para a região que serve – de protelar uma decisão que demorará sempre cerca de três anos a implementar.

“Optimista, mas com os pés assentes na terra”, como fez questão de frisar, Brogueira Dias, o presidente da APDL, antecipou para 2015 “o pontapé de saída para a expansão” do terminal de contentores, que permitirá “um aumento de capacidade de cerca de 20%”. E lembrou, sem avançar datas para o arranque, o “estudo muito desenvolvido para o novo terminal de contentores com fundos de -14 metros”.

Precisamente, o novo terminal é um tema que a TCL insiste em ver discutido a par da renegociação da concessão e do investimento na expansão do terminal actual. Ao TRANSPORTES & NEGÓCIOS, Lopo Feijó justificou-o lembrando que “temos um estudo que nos diz que com o novo terminal arriscamos perder cerca de 40% do nosso tráfego”, referindo-se aos armadores e navios de maiores dimensões que “optarão pelo terminal com melhores fundos”. “E nessas condições, o que é que faremos com o investimento na expensão?”, questionou.

E no entanto o movimento de contentores em Leixões avança, como o atesta o recorde de 650 mil TEU hoje assinalado. Lopo Feijó sublinhou no seu discurso o crescimento de 30% em três anos. E Brogueira Dias destacou também o recorde de 17,5 milhões de toneladas, e deixou o convite já para o próximo ano, “e logo veremos o que haverá para festejar”.

Ricardo Fonseca e Matos Fernandes, os dois antecessores de Brogueira Dias na presidência da APDL, marcaram presença na cerimónia de hoje.

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