A oferta de 48 locomotivas à CP Carga, no âmbito da recapitalização da empresa, estará a preocupar os candidatos à privatização, tementes de serem obrigados a devolver o auxílio estatal.

CP Carga

No plano original, a CP Carga seria privatizada sem terminais e sem locomotivas (permaneceriam na CP, que as pagaria e alugaria). Os terminais já foram vendidos à Refer mas a locomotivas serão, afinal, “oferecidas” à operadora, no âmbito de um aumento de capital em espécie.

Serão 48 locomotivas, avaliadas em 110 milhões de euros, necessárias às operações da CP Carga em 2016, que serão transferidas para a empresa até ao final do ano corrente. E com isso, os capitais próprios, negativos em 83,5 milhões de euros, passarão a positivos.

Restará saber, e é isso que estará a preocupar os candidatos à compra da CP Carga, avança hoje o “Negócios”, se Bruxelas aceitará a operação ou se antes a considerará uma ajuda de Estado ilegal. É que, nesse caso, os novos donos terão de devolver o valor das locomotivas…

Mas as “ajudas” do Estado à CP Carga não se ficarão por aqui. Prevista estará também a transformação em capital social de 71,2 milhões de euros registados como suprimentos de accionistas.

Além disso, os novos donos da CP Carga terão dez anos para pagar, sem juros, os 49,2 milhões de euros que a empresa deve à CP, e cinco anos para liquidar os 21,9 milhões de euros de dívida à Refer, neste caso suportando uma taxa de juro de 1,5%.

O prazo para a apresentação das propostas vinculativas à compra de 100% da CP Carga termina no próximo dia 30 do corrente.

Os candidatos mais falados são a MSC Portugal (que detém a MSC Rail e é um dos principais clientes da CP Carga no transporte de contentores), a Mota-Engil (que controla a Takargo e, por via dela, 50% da Ibercargo), a ALB, a Algeposa, a Altri e a Atena Equity Partners.

 

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