Seis meses depois de ter selado a paz social no porto de Lisboa, o sindicato dos trabalhadores portuários da capital alarga o seu âmbito a todo o país. Os estatutos do novo Sindicato Nacional dos Estivadores, Trabalhadores do Tráfego, Conferentes Marítimos e Outros foram ontem publicado no Boletim de Trabalho.

Estivadores

Com o novo sindicato, “estão criadas as condições para os estivadores subirem a um patamar de representação igual ou superior ao dos grupos económicos portuários que dominam o País”, refere a entidade, em comunicado emitido a propósito. “Poderemos assim lutar, com armas mais equilibradas e a nível nacional, pela melhoria das condições miseráveis de trabalho de alguns estivadores e pelo aniquilamento da precariedade que alastrou de forma selvagem pelos portos”, acrescenta.

O propósito de fazer alastrar a outros portos o acordo conseguido em Lisboa foi logo assumido pelos dirigentes sindicais, aquando da assinatura do documento. No comunicado emitido no final de Maio do ano passado, ficou claro  o objectivo de que o acordado em Lisboa, com “condições laborais com direitos sejam o referencial para os estivadores doutros portos”, porque, justificava-se “muito há ainda para conquistar, desde logo para os estivadores dos outros portos nacionais, desde Sines a Leixões, desde Aveiro ao Caniçal, passando pelo porto de Setúbal, onde a maioria dos estivadores continuam a sobreviver no limiar da escravatura”.

O próximo passo do novo Sindicato Nacional dos Estivadores, Trabalhadores do Tráfego, Conferentes Marítimos e Outros será, certamente, tentar a implantação noutros portos, e desde logo em Leixões, há muito apresentado como um exemplo de sucesso de paz social e laboral, e que serviu de “válvula de segurança” do sistema portuário nacional nos últimos anos de conflitualidade no porto da capital.

23 eventuais integrados em Lisboa

Seis meses volvidos sobre o acordo entre operadores e trabalhadores portuários de Lisboa, e tal como previsto no texto rubricado, foram integrados nos quadros da AETPL 23 trabalhadores eventuais.

A integração de trabalhadores eventuais foi então apresentada como a contrapartida assumida pelos operadores ao “fim” do trabalho suplementar proposto pelo sindicato dos estivadores.

No comunicado agora emitido, a organização sindical sublinha que os trabalhadores abrangidos “estavam precários há nove anos”  e, inclusivamente, “já tinham sido “dispensados” por duas vezes”.

O acordo que garantiu a paz social no porto de Lisboa prevê a integração nos quadros da empresa de trabalho portuário de cerca de 70 trabalhadores, num horizonte de dois anos, incluindo os 23 eventuais já referidos e os 15 funcionários da Porlis.

 

 

 

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