O presidente do sindicato dos trabalhadores portuários disse hoje que os estivadores estão dispostos a chegar a um entendimento com os operadores, caso a empresa criada paralelamente [Porlis] seja encerrada e se forem resolvidas duas situações do contrato colectivo de trabalho.

Lusa

De acordo com António Mariano, os estivadores estão dispostos a chegar a um entendimento, desde que fiquem resolvidos problemas com a grelha salarial e desde que continuem a fazer o planeamento dos navios.

Além disso, afirmou, “nós não aceitamos aqui uma empresa [Porlis] com trabalhadores precários de 500 euros, que foi criada pelos nossos patrões ao mesmo tempo que negociavam ao lado e ao mesmo tempo o contrato colectivo. Todo este processo é de má-fé. Se encerrarem a empresa estaremos em condições de fazer o acordo”, sublinhou, em declarações à “Lusa”.

Ontem, os operadores do porto de Lisboa anunciaram que vão avançar com um despedimento colectivo por redução da actividade, depois de o sindicato ter recusado, na sexta-feira passada, uma nova proposta para um novo contrato colectivo de trabalho.

“Com os estivadores há sempre possibilidade de entendimento, não há é a possibilidade de nos levarem até àquele ponto onde nos querem levar, ou seja, a uma profissão como a que tínhamos o século XIX, de trabalharmos por turnos, precários, com baixos salários, dependendo dos favores dos chefes, dos jagunços à frente das empresas”, declarou António Mariano.

Contentores retirados sob escolta policial

O presidente do sindicato dos trabalhadores portuários falou aos jornalistas junto ao terminal de contentores de Alcântara, enquanto decorriam as operações de transporte de contentores, promovidas pela concessionária.

“O que se passa aqui hoje é extremamente grave. Para este terminal, em Alcântara, não foram pedidos serviços mínimos, não foi o Porto de Lisboa mas a Liscont, a empresa que tem a concessão deste terminal, não pediu serviços mínimos, chamou a Polícia de Intervenção para colocar lá dentro trabalhadores fura greves para fazer a manutenção de cargas”, destacou.

No entender do dirigente sindical, esta situação “é uma violação grosseira da lei da greve, tal como na segunda-feira foi violada a lei quando se ameaçou os estivadores de despedimento colectivo”.

Desde o início da manhã que estão a ser retirados contentores do interior do porto da capital. No local concentraram-se algumas dezenas de estivadores, sob o olhar vigilante da Polícia .

Com Lusa

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