Goradas as negociações de um novo CCT, o porto de Lisboa está de novo sob ameaça de greve. O sindicato dos trabalhadores portuários já apresentou um novo pré-aviso, para vigorar a partir do próximo dia 20.

Porto de Lisboa

A nova paralisação iniciar-se-á às 0 horas do dia 20 e prolongar-se-á até às 8 horas do dia 5 de Maio. No essencial, os termos da greve mantêm-se iguais às de acções anteriores, isto é, os trabalhadores portuários recusar-se-ão a trabalhar sempre que nas operações de movimentação das cargas intervenham pessoas consideradas estranhas à profissão, ou transportadores rodoviários de mercadorias, e bem assim em situações em que os trabalhadores sejam colocados a desempenhar tarefas de categoria profissional inferior, ou em número inferior ao considerado indicado, etc..

No extenso comunicado em que anuncia o novo pré-aviso de greve, o sindicato liderado por António Mariano não poupa nas críticas aos operadores portuários e ao seu alegado comportamento nas negociações do novo CCT promovidas sob a égide do Ministério do Mar.

Para o sindicato, os operadores portuários recusaram por sistema todas as propostas apresentadas pelos representantes dos trabalhadores portuários e apostaram na degradação das condições de trabalho e no corte – considerado gigantesco – dos salários. O sindicato refere a propósito ter proposto uma redução da massa salarial global do porto de Lisboa na ordem dois dois milhões de euros/ano, e ter aceite a criação de dois novos níveis salariais mais baixos, “com reduções de cerca de 20% e 40%”.

Denunciado é também o facto de não se ter concretizado a integração no quadro de efectivos de 26 trabalhadores, prevista no Acordo de Paz Social assinado entre as partes.

No comunicado, o sindicato dos trabalhadores portuários insurge-se ainda contra o acordo sobre um novo CCT obtido entre os operadores portuários e o sindicato da Porlis, e garante que o mesmo sindicato estará já em fase de extinção por iniciativa dos próprios associados.

Agepor apela a que os trabalhadores “acordem”

” Revoltada” com o novo pré-aviso de greve, a associação dos agentes de navegação (Agepor) emitiu um comunicado no qual “expressa a sua indignação e condena a continuação do atentado ao porto de Lisboa”.

“Esta greve e este processo não servem os interesses dos trabalhadores. Trabalhadores acordem! Não é só o porto que morre é também o vosso trabalho! São os vossos postos de trabalho!”, clama a associação liderada por Rui d’Orey, num tom dramático, dir-se-ia desesperado.

No curto comunicado, a Agepor insiste na necessidade de um acordo que trave o declínio do porto de Lisboa e remata questionando, uma vez mais, “a quem serve esta greve?”.

Setúbal cada vez mais perto

De acordo com os últimos dados divulgados pela Autoridade da Mobilidade e Transportes (AMT), nos dois primeiros meses do ano, sem greve, o porto de Lisboa perdeu mais quase 12% das cargas e ficou-se pelos 1,5 milhões de toneladas.

Apesar de ter recuado também 2% em termos homólogos, o porto de Setúbal movimentou, por seu turno, 1,2 milhões de toneladas.

No movimento de contentores, ainda que a escalas diferentes, Lisboa perdeu 20% enquanto Setúbal ganhou 35%.

A actividade do porto da capital está, assim, ao nível mais baixo dos últimos dez anos.

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