Os estivadores espanhóis admitem voltar às greves ante os atrasos, que dizem ser “injustificados”, na publicação do Real Decreto com que o governo de Madrid se comprometeu para implementar a reforma do sector aprovada em Maio de 2017.

O principal sindicato espanhol dos trabalhadores do sector, a Coordenadora Estatal de Trabalhadores do Mar (CETM), deu conta que já enviou cartas aos ministros do Fomento, Íñigo de la Serna, e do Emprego, Fátima Báñez, para expressar preocupação com o atraso deste texto legal e com a “instabilidade” que isso gera.

A organização recorda que da aprovação do Real Decreto depende a articulação das ajudas que o governo se comprometeu a dar para as pré-reformas de estivadores ou a para a reconversão das actuais sociedades de gestão de estivadores (Sagep) em Centros Portuários de Emprego, as novas ETT que a reforma contempla.

Além disso, os estivadores e a patronal Anesco estão dependentes do desenvolvimento da reforma para fechar o novo contrato colectivo com base no princípio de acordo alcançado no final de Junho de 2017. Este último pôs fim ao conflito laboral nos portos espanhóis desencadeado pela reforma do sector promovida por Madrid.

O acordo alcançado em Junho passado está, entretanto, a ser analisado pela Comissão Nacional de Mercados e Concorrência (CNMC). A entidade abriu em, Novembro último, um processo com o argumento de que pode restringir a concorrência.

Eventuais novas mobilizações dos trabalhadores da estiva surgiriam quase um ano após o conflito que marcou o primeiro semestre do ano passado. Os diferendos começaram em Fevereiro de 2017, quando o governo iniciou a reconversão do sector em Espanha para liberalizá-lo e cumprir com as regras impostas pela Comissão Europeia.

Entretanto, o porto de Barcelona – que saiu claramente ganhador da crise dos portos do país vizinho – tornou-se o primeiro a fechar um acordo laboral segundo as novas regras.

 

 

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  1. Cláudio Carneiro

    Podia se a sentir algum o movimento de carga contentorizada nos portos nacionais e a principalmente em Sines, a causa a greve dos estivadores espanhóis a correu no passado ano e criou a transferência de carga contentorizada dos portos espanhóis para os portos de Sines, de Lisboa, de Leixões, de Barcelona (Catalunha), de Marselha (França) e de Cagliari (Itália)

  2. Esperemos que esta greve em Espanha não influencie negativamente os estivadores em Portugal e assim os portos portugueses nomeadamente o terminal XXI de Sines possa crescer como dia o Cláudio Carneiro !!