Animados pelas críticas da Oposição à legislação do trabalho portuário aprovada pelo governo, os sindicatos dos estivadores espanhóis decidiram adiar o início da greve para 10 de Março, dia seguinte à discussão da lei no Congresso.

Estivadores - Algeciras

Ficam, assim, sem efeito as paralisações parciais convocadas já para os próximos dias 6  e 8 do corrente. Mas na prática os efeitos da contestação já se fazem sentir com o abrandamento do ritmo das operações portuárias.

Os sindicatos justificam o cancelamento dos dois primeiros dias de greve com a intenção de criarem as condições para o governo aceitar negociar os termos da lei. O Executivo de Madrid mantém-se irredutível no que diz ser o cumprimento das regras impostas por Bruxelas, mas os sindicatos insistem em que é possível cumpri-las sem desmantelar o sector.

Em particular, os sindicatos querem manter os actuais postos de trabalho. Contestam, por isso, que as administrações portuárias a suportar os custos de despedimentos, como está previsto na lei.

Nas negociações havidas, os patrões já terão oferecido manter o contingente actual de trabalhadores portuários, mas as informações que saem desses encontros variam com as fontes…

Entretanto, perante as críticas dos partidos da Oposição, o governo de Mariano Rajoy estará tentado a adiar a discussão da lei no Congresso, tentando com isso ganhar tempo para obter os necessários apoios. A aprovação da lei precisa apenas de uma maioria simples, note-se.

Com ou sem greves, o facto é que  a actividade portuária no país já está a ressentir-se, com atrasos nas operações, cancelamentos de escalas e mesmo suspensão de operações. Com isso poderão beneficiar outros portos (caso de Sines, mas não só), e é isso que o IDC, a organização internacional dos estivadores pretende impedir apelando à não movimentação de cargas desviadas dos portos espanhóis.

 

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