A taxa de adesão à greve dos estivadores em Espanha foi ontem de apenas 27,8%. Um contraste com os quase 100% dos dias anteriores, que se explica pelos acordos entretanto celebrados com vários operadores portuários.

Maersk-Mckinney-Algeciras

 

À falta de um acordo com a Anesco, e perante os sinais de divisão interna na associação que representa os operadores portuários espanhóis, os sindicatos dos trabalhadores portuários apostam, agora, nas negociações separadas com os operadores de cada terminal de cada porto. E com sucesso, a avaliar pelos resultados conseguidos.

A estratégia é simples: os terminais onde se chega a acordo (entenda-se: no essencial, onde ficam garantidos todos os actuais postos de trabalho), o trabalho flui normalmente; nos outros a greve é cumprida a praticamente a 100% e nos restantes períodos as demoras agudizam-se.

Resultado: a APM Terminals, que gere um dos terminais de contentores de Algeciras, do grupo Maersk, da Maersk Line que ameaçou deslocar milhares de movimentos para outras paragens, chegou a acordo com os sindicatos dos estivadores. E como em Algeciras, também em Barcelona e em Valência a paralisação só afectou os terminais onde (ainda?) não há acordo.

De acordo com os dados do Ministério do Fomento, só nos portos de Alicante, Avilés, Bilbau, Tarragona, Pasajes, Huelva, Málaga, Vigo, Marín,
Santander e Tenerife é que, ontem, o número de grevistas superou o de não-grevistas.

PIPE denuncia chantagem

A Plataforma de Investidores nos Portos Espanhóis (PIPE) fala em chantagem, acusando os sindicatos de agravar a perda de movimentos nos terminais das empresas que não aceitam os acordos propostos.

Acordos que, sustenta, são contrários à nova legislação do trabalho portuário recentemente aprovada pelo governo de Madrid. Segundo a PIPE, os acordos assinados entre sindicatos e operadores mantêm, na prática, o “status quo” anterior à nova legislação, retirando aos operadores a capacidade de gerirem a mão-de-obra portuária.

Sinal dos desentendimentos no seio da Anesco, a Bergé e a Ership (que não assinaram acordo unilaterais com os sindicatos) anunciaram a saída da associação patronal.

 

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