A Estratégia para o Aumento da Competitividade Portuária, recentemente lançada pelo Governo, é “um plano positivo” e pode interessar players internacionais, considera o presidente do Grupo ETE, em entrevista ao TRANSPORTES & NEGÓCIOS.

Leixões - TCGL

“Em termos globais, acho positivo o plano. Parece-me que é coerente e faz sentido”, afirma Luís Nagy.

Quanto aos objectivos traçados, “dependem de inúmeros factores e, como a senhora ministra disse, grande parte dos investimentos caberá a privados e, portanto, o Governo só pode criar as condições para que aconteçam. Depois verificam-se ou não, dependendo de muitos factores que são exógenos ao Governo e muitas vezes exógenos ao próprio País”.

Ainda assim, o empresário diz-se confiante. “Eu só repetiria aquilo que disse a senhora ministra: quando há uns anos atrás ela, ainda como secretária de Estado, previu algum crescimento houve muitas pessoas que duvidaram, e ele verificou-se. E, portanto, não tenho nenhumas razões para duvidar de que o Governo irá tentar criar as condições para que haja esse crescimento”.

Os  investimentos privados terão de ser, em grande parte, “estrangeiros porque em Portugal, infelizmente, não há capitais (e não é só no sector portuário)”.

E haverá interesse dos grandes players internacionais? Luís Nagy diz-se “convencido que sim”. E justifica: “faz sentido porque independentemente do mercado português ser bastante limitado, e isso é um problema, o nosso hinterland pode ir perfeitamente até Espanha”.

Investimentos nas concessões

Nos últimos meses sucederam-se os investimentos do Grupo ETE em equipamentos de movimentação de cargas nas concessões de Leixões, Aveiro e Sines.

“É claramente uma afirmação da nossa aposta. Uma aposta que não é e hoje, vem de sempre”, sublinha o dirigente.

“Temos vindo a investir. Continuamos a investir. Há quem seja detractor dos portos portugueses, mas o que acontece é que os terminais portugueses concessionados são extremamente eficientes. São tão eficientes quanto terminais de igual dimensão em qualquer país do mundo, nomeadamente países europeus”.

Um exemplo “muito concreto”, nas palavras de Luís Nagy:  “Encomendámos à PwC um benchmark de terminais de carvão semelhantes ao de Sines (que movimentem 5-6-7-8 milhões de toneladas por ano) em toda a Europa e,  de facto, o terminal da Portsines é dos mais eficientes da Europa e aquele que tem preços mais competitivos”.

“Outros terminais do Grupo ETE , e outros que não são do Grupo ETE, são também extremamente competitivos. Aliás muitas das nossas exportações são produtos que não têm grande valor acrescentado (cimento, clínquer, verguinha), ou produtos com grande concorrência (pasta de papel), e não seria possível exportá-los por via marítima se os portos portugueses e a logística portuguesa não fossem eficientes e competitivos”, acrescenta.

“O Grupo ETE, à sua dimensão, tem vindo a investir, continuará a investir e no que lhe diz respeito terá uma actuação tão activa quanto possível [na Estratégia] e colaborará com o Governo. Tudo o que seja fazer crescer o sector marítimo-portuário em Portugal, dentro das nossas possibilidades, estamos sempre disponíveis”, conclui Luís Nagy.

 

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