A quebra na actividade do porto de Lisboa, consequência da greve dos estivadores, poderá colocar em causa o pagamento dos salários de Dezembro na AETPL, a empresa de trabalho portuário da capital, avisa os operadores.

Porto de Lisboa

Em comunicado hoje publicado, aAssociação dos Operadores do Porto de Lisboa (AOPL) e a Associação Marítima e Portuária (AOP) voltam a responsabilizar o sindicato dos trabalhadores portuários do Centro e Sul pela situação de estrangulamento do porto e da própria empresa de trabalho portuário.

Em resposta às alegações do sindicato, que insiste em que até ao momento os trabalhadores portuários não deixaram de trabalhar, as suas associções falam numa “chantagem sofisticada sobre as empresas”, traduzida em “pré-avisos de greve que legitimam a recusa do trabalho apenas quando e se os empregadores tomam decisões legais mas de que eles não gostam”.

Depois de descreverem a situação caótica que se vive no porto de Lisboa, com atrasos na operação dos navios, desvios de navios ou mesmo suspensão de serviços, a AOPL e a AOP disparam: “Por este andar, é razoável antever que os sindicalistas se constituem responsáveis pela inevitável perda de empregos que resultará do definhamento das empresas e consequente diminuição de proveitos, estando a Empresa de Trabalho Portuário A-EPTL sem liquidez para os salários de Dezembro”.

História repete-se

Esta não será, de resto, a primeira vez que a A-EPTL enfrenta dificuldades para saldar os seus compromissos. A empresa vive da prestação de serviços de trabalho portuário aos operadores, e com a produção em baixa ressentem-se as receitas e, logo, surgem as dificuldades para pagar as contas.

Situação semelhante viveu-se há alguns anos, precisamente no auge do anterior surto de greves que praticamente parou, meses a fio, o porto de Lisboa. Na altura, sobre a mesa esteve mesmo o despedimento de trabalhadores, para reduzir despesas e afeiçoar os efectivos à actividade.

No limite, a falência  de uma ETP, coisa impensável até há alguns anos, já não é uma novidade em Portugal.

No final de 2011, a ETP Aveiro foi forçada a pedir a insolvência para tentar a reestruturação, a braços com dívidas e sem dinheiro para pagar salários. E no final de 2012 o plano de recuperação foi aprovado, com o sindicato dos trabalhadores do porto de Aveiro a financiar as rescisões com cerca de uma dezena de trabalhdores.

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