A IATA aposta em chegar ao final de 2017 com uma taxa de 90% de utilização das cartas de porte electrónicas. No geral, o processo até estará a correr bem, mas persistem obstáculos. E a Europa é o mercado mais atrasado.

Carga aérea

A taxa de penetração da e-AWB na carga aérea mundial cresceu de 1,2%, em 2010, para 24,9%, em 2014, superando mesmo em 2,9 pontos percentuais o objectivo inicialmente fixado pela IATA. A associação internacional prevê que 2015 termine com uma taxa de 45% e que em 2016 se atinja 80%, para chega aos 90% em 2017.

Persistem, todavia, diferenças substanciais entre os diferentes mercados, aeroportos, companhias aéreas e agentes de carga aérea.

Por exemplo, entre os países de origem, destaca-se Hong Kong com uma taxa de utilização de e-AWB de 57,5%, enquanto a Holanda se fica pelos 34,6%, a França pelos 21%, o Reino Unido pelos 15,7% e a Alemanha não vai além dos 12,5%.

O mesmo é válido para as companhias aéreas. O ranking da IATA, no final do primeiro trimestre, a Cathay é líder, seguida da Emirates e da Air France-KLM. Nos lugares imediatos surgem a Singapore, a IAG, a Korean, a UPS, a Qatar, a Delta e a Lufthansa Cargo.

O Médio Oriente é a região mais avançada na implementação da carta de porte electrónica, com uma taxa de utilização de 62,4%. A Europa é a mais atrasada, com apenas 16,1%. África já atingiu os 37,4%, a Ásia-Pacífico os 28,4% e as Américas os 22,9% (sendo que os EUA chegaram aos 24,5%).

O crescimento previsto pela IATA para a e-AWB tem, porém, alguns obstáculos. Destaque para os diferentes níveis de aceitação das alfândegas (até dentro do mesmo país) e os próprios custos de implantação do e-AWB para transitários e operadores mais pequenos.

Para eliminar essas barreiras, a IATA constituiu grupos de trabalho com operadores, transitários e empresas de tecnologia, ao mesmo tempo que incita os Estados a minimizarem as restrições e problemas administrativos que obstaculizam a eliminação de documentos em suporte papel nas operações de transporte de carga por via aérea.

Determinante é também o papel das companhias aéreas líderes nos respectivos mercados. São os casos, na Europa, da Lufthansa Cargo na Alemanha, da Air France-KLM em França e na Holanda, da IAG no Reino Unido e em Espanha.

Em Portugal, o processo de implementação da e-AWB tem avançado lentamente. A TAP é a referência no grupo de trabalho. Mas tem sido a SATA a destacar-se na utilização de cartas de porte electrónicas.

 

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