A Eurotunnel afirma-se preparada para o pior cenário da saída do Reino Unido da União Europeia, isto é, sem acordo e já a 29 de Março.

O operador do serviço trans-Mancha indica ter investido “dezenas de milhões” na preparação do Brexit. A companhia diz, por isso, ter feito a sua parte para que as mercadorias entre o Reino Unido e a União Europeia continuem a ter um bom fluxo.

“Temos feito planos de contingência nos últimos dois anos e meio – na procura de formas de os clientes continuarem a passar pelo túnel da maneira mais rápida e eficiente possível”, afirmou à “Lloyd’s Loading List” o porta-voz da Eurotunnel, John Keefe. “A única questão real é o nível de controlo de fronteira em que os governos insistirão [com o Brexit]”, disse.

John Keefe acrescentou que “o Governo do Reino Unido deixou claro que não haverá mais controlos na fronteira do que há hoje”, pelo que a Eurotunnel não prevê “problemas para bens que entram no país [Reino Unido] e não deve haver necessidade de desviar tráfego ou colocar capacidade em outros locais, pois o túnel poderá acomodar os volumes de tráfego previstos”.

O porta-voz da companhia reconheceu, porém, que há “algumas dúvidas” sobre o que a UE exigirá se o Reino Unido se tornar um “terceiro país” e operar sob os regulamentos da OMC. A norma da UE para as mercadorias de países terceiros envolve 100% de controlos.

“Os portos europeus de contentores e os aeroportos estão acostumados a lidar com as cargas do tipo OMC, mas serão novos no estreito de Dover”, admitiu John Keefe. “Isso vai significar que todo camião terá de pré-declarar a mercadoria que carrega? Talvez seja uma dúvida a colocar qual a percentagem de produtos de origem de países terceiros que, hoje, são inspeccionados nos pontos de entrada da UE”, indicou.

Cerca de 20% dos clientes da Eurotunnel são responsáveis por 80% dos volumes totais movimentados pela companhia. O porta-voz da empresa acredita, por isso, que esses clientes irão adaptar-se rapidamente a qualquer regime adoptado.

“O Brexit é mais desafiante para os pequenos e médios carregadores, maioritários na UE, que sofrer com o impacto financeiro do investimento em novos sistemas e novos funcionários, que precisarão de formação”, avisa John Keefe.

 

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