O grupo Eurotunnel pediu hoje uma indemnização de 9,7 milhões de euros aos governos francês e britânico para compensar as despesas e perdas operacionais com migrantes que tentam alcançar a Grã-Bretanha através do túnel da Mancha.

Camiões em Calais

“No primeiro semestre, já foram comprometidos 13 milhões de euros em despesas de segurança, equivalente ao total gasto em 2014”, anunciou hoje o grupo, sublinhando que a legislação prevê que uma parte dessas despesas seja apoiada pelos estados que admitiram a exploração do túnel.

A Eurotunnel revelou que “o governo britânico já se comprometeu a pagar 4,7 milhões de euros em 2015”.

A empresa anunciou que continua a garantir de uma forma intermitente a protecção do túnel e a controlar a passagem de migrantes para a Grã-Bretanha, explicando que “o número de migrantes interceptados pelas forças britânicas pode ser contados pelos dedos de uma mão”. “O essencial é interceptado na França e isso tem um custo”, concluiu o CEO da Eurotunnel, Jacques Gounon, durante a apresentação dos resultados provisórios do Grupo.

A empresa explicou, na mesma apresentação, que, dos 9,7 milhões de euros reivindicados, cerca de dois terços correspondem a despesas extra, como novas barreiras que impedem os migrantes ou camiões de entrar no túnel, e o restante diz respeito a uma perda operacional.

O grupo acredita que o número de migrantes em Calais, no norte da França, é amplamente subestimado e, consequentemente, a quantidade das forças de segurança é insuficiente. “Acho que o ministro do Interior disse recentemente que havia dois mil migrantes na floresta em Calais e todas as pessoas locais sabem que há cinco mil”, afirmou Jacques Gounon.

A Eurotunnel fez um pedido semelhante no início do ano 2000 – e o número de migrantes era menor do que o actual -. Nessa altura, a empresa foi bem sucedida e o Tribunal Permanente de Arbitragem de Haia fixou o prejuízo de 24 milhões de euros.

Os comentários estão encerrados.