Actualmente apenas cerca de um milhão de toneladas de mercadorias cruzam a Mancha pelo túnel. Um décimo da capacidade instalada. Um desastre, nas palavras do presidente da Eurotunnel.

O objectivo da empresa é replicar na carga o sucesso da operação dos passageiros. Jacques Gounon, em entrevista ao “La Tribune”, refere que as recentes compras da Veolia Cargo e da GBRf se inserem nesse programa.

A Eurotunnel propõe-se superar as lógicas nacionais, francesa e britânica, que, na opinião de Gounon, têm obstado ao desenvolvimento do tráfego de carga sob as Mancha. Daí a compra de operadores dos dois lados do Canal, para poder oferecer serviços integrados.

Novas aquisições não estão, pelo menos para já, nos planos da Eurotunnel. Todavia, Jacques Gounon lembra que assim que o túnel ferroviário de São Gotardo estiver pronto será possível oferecer serviços ferroviários de mercadorias entre a Grã-Bretanha e Itália ou a Suíça.

O túnel da Mancha está concebido para um tráfego anual de dez milhões de toneladas, mas actualmente apenas por ali passam cerca de um milhão. Um “quase desastre”, como o classifica Gounon, comparando com a operação de passageiros.

E no entanto, sublinha, também na vertente de passageiros o túnel da Mancha está longe de atingir a capacidade para que foi projectado. Mesmo se nos 25 anos de operação já por ali passaram 625 milhões de passageiros.

O presidente do Eurotunnel prevê que a tendência é para continuar a ganhar quota de mercado aos “ferries”, sendo expectável a entrada de mais operadores no mercado.

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